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19 jan 2026
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A Danone volta à mesa para negociar a Lifeway, líder absoluta em kefir nos EUA, após duas ofertas rejeitadas e em meio a disputas familiares 🥛
Terceira tentativa da Danone reacende negociações pela Lifeway, gigante do kefir, em um contexto de conflitos societários e litígios em curso ⚖️
Terceira tentativa da Danone reacende negociações pela Lifeway, gigante do kefir, em um contexto de conflitos societários e litígios em curso ⚖️

O kefir voltou ao centro das atenções no setor global de lácteos após a Danone iniciar, pela terceira vez em menos de um ano, negociações para a possível aquisição da Lifeway Foods, principal produtora da bebida fermentada nos Estados Unidos.

A informação consta de documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), no qual as empresas detalham os termos iniciais de uma nova rodada de conversas.

Segundo o registro, Danone e Lifeway assinaram um acordo de confidencialidade em 1º de agosto, com o objetivo de viabilizar a análise de uma eventual transação. O movimento ocorre depois de duas tentativas frustradas ao longo do ano anterior, quando a Lifeway rejeitou propostas da multinacional francesa avaliadas em US$ 25 e US$ 27 por ação.

As conversas atuais tiveram início no fim de junho, quando representantes da Lifeway procuraram a Danone para retomar o diálogo. As partes estabeleceram como prazo inicial o dia 15 de setembro para alcançar um entendimento, com possibilidade de extensão por mais uma semana. Ainda assim, o próprio documento ressalta que não há garantia de que um acordo será efetivamente concluído.

A Danone já é acionista relevante da Lifeway desde 1999, quando as companhias firmaram um acordo de acionistas que garantiu à francesa cerca de 23% do capital da empresa norte-americana. Desde a primeira tentativa de aquisição, anunciada em setembro do ano passado, as ações da Lifeway têm oscilado próximas de US$ 25, refletindo a expectativa do mercado em torno de uma possível consolidação.

Em declarações atribuídas à CEO da Lifeway, Julie Smolyansky, a empresa reiterou que o conselho de administração seguirá atuando no melhor interesse dos acionistas, “inclusive considerando uma venda justa”, caso essa alternativa se mostre adequada. A fala ocorre em um contexto de forte tensão interna, que vai além das negociações com a Danone.

A Lifeway enfrenta uma disputa de poder entre membros da família fundadora, que controla mais de 40% das ações. Ludmila Smolyansky, cofundadora da empresa, e seu filho Edward lideram uma iniciativa para destituir todo o conselho de administração, incluindo Julie, filha de Ludmila. Esse processo, conhecido como “consent statement”, estava previsto para ser concluído na sexta-feira mencionada nos documentos regulatórios.

O acordo de confidencialidade firmado com a Danone impõe uma limitação relevante: até 15 de setembro, a multinacional francesa está impedida de interferir tanto na composição do conselho quanto no processo de votação interna. A Danone, no entanto, sinalizou que, caso não haja acordo até essa data, poderá apoiar formalmente a proposta liderada por Ludmila e Edward para substituir o conselho.

Edward Smolyansky afirmou que pretende manter a votação aberta por mais tempo e manifestou otimismo quanto à possibilidade de contar com o apoio da Danone. Esse posicionamento adiciona um componente político à negociação, que passa a envolver não apenas valuation e estratégia, mas também governança corporativa.

Do ponto de vista operacional, a Lifeway ocupa uma posição dominante no mercado de kefir nos Estados Unidos, com cerca de 95% de participação. Nos últimos cinco anos, as vendas da empresa quase dobraram, alcançando US$ 186,8 milhões em 2024, impulsionadas pelo crescimento da demanda por produtos fermentados e associados à saúde digestiva.

No ano passado, a Lifeway justificou a rejeição das ofertas da Danone afirmando que os valores propostos subestimavam o potencial da companhia. A empresa também questionou a validade do acordo de acionistas firmado em 1999, argumentando que ele não teria recebido aprovação unânime, o que abriria espaço para sua contestação.

A relação entre as duas companhias inclui ainda disputas judiciais. A Danone detém o direito de veto à emissão de novas ações para determinados executivos e utilizou essa prerrogativa nos últimos anos. Em março, a multinacional processou a Lifeway após a emissão de US$ 6,5 milhões em ações para Julie Smolyansky sem seu consentimento. A Lifeway respondeu com uma ação própria contra a Danone, e até o momento não está claro se o novo acordo de confidencialidade terá impacto direto sobre esses litígios.

A retomada das negociações reforça o papel estratégico do kefir no portfólio global de lácteos e evidencia como ativos de nicho, mas com forte crescimento, podem se tornar centrais em disputas societárias complexas. Para o mercado, o desfecho dessa terceira tentativa será observado não apenas como uma possível aquisição, mas como um teste de equilíbrio entre estratégia industrial, governança e valor percebido.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de MSN

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