Naipi deixou de ser apenas um alimento típico do café da manhã dos nômades mongóis para se tornar um vetor de turismo gastronômico na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China.
A crescente popularidade do produto reflete uma combinação de herança cultural, expansão produtiva e novas experiências voltadas ao consumidor.
Tradicionalmente obtido da camada cremosa que se forma sobre o leite fresco repousado, o naipi é associado a um perfil sensorial intenso e a preparações que ajudam a enfrentar o frio das estepes. Hoje, porém, o ingrediente ultrapassa o consumo doméstico e aparece em cardápios diversos, de bebidas e sobremesas a pizzas e bolos da lua.
A mudança é visível na cidade de Galutu, onde receitas ancestrais passaram a dialogar com formatos contemporâneos. O movimento acompanha uma demanda crescente por alimentos naturais e ricos em proteínas, fator que contribui para reposicionar o produto no mercado.
O avanço não ocorre apenas no prato. Em uma planta de processamento local, camadas do chamado “filme de leite” são secas, moldadas e embaladas a vácuo antes de seguir para grandes centros como Xangai e Hangzhou. Segundo o proprietário Bayinnamuri, os pedidos aumentaram de forma expressiva e a produção de 2025 deve ser quase o dobro da registrada no ano anterior, com cerca de duas toneladas de leite fresco processadas diariamente para gerar mais de 2.000 folhas de creme.
Para sustentar esse ritmo, Galutu estruturou desde 2022 uma cadeia industrial fechada. O projeto incluiu uma área de aproximadamente 4.000 mu dedicada à produção de ração de alta qualidade e a introdução de vacas Jersey para elevar o rendimento leiteiro. O resultado foi um salto na produção anual de leite, que passou de 817 mil kg em 2022 para quase 5 milhões de kg.
Paralelamente, a região assumiu um papel de laboratório gastronômico. Concursos culinários incentivam releituras criativas e aproximam o produto de consumidores mais jovens. Um exemplo é a reinvenção do tanghulu, tradicional espetinho de espinheiro cristalizado, agora combinado com creme, frutas e iogurte gelado. A proposta rapidamente ganhou tração, com centenas de unidades vendidas diariamente.
A estratégia local integra agricultura, pecuária, processamento e turismo de experiência. Visitantes podem conhecer fazendas leiteiras modernas, participar do preparo de sobremesas tradicionais e circular por ruas repletas de petiscos baseados no ingrediente.
Eventos culturais e tentativas de recordes mundiais reforçam a narrativa de que o naipi vai além da alimentação e representa um patrimônio cultural em construção. Para a cadeia láctea, o caso sinaliza como produtos regionais podem gerar valor ao combinar identidade, escala produtiva e apelo turístico.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Vietnam






