Leite A deixou de ser produzido pela agroindústria Estrelat, localizada em Estrela, no Rio Grande do Sul, após exigências legais que tornaram inviável a continuidade do negócio.
Conforme informações divulgadas pela empresa, a obrigatoriedade de instalação de homogeneizadores no processo de produção, determinada por legislação federal, demandaria um investimento estimado em R$ 250 mil — um valor considerado alto para uma indústria de pequeno porte que processava cerca de 8 mil litros por mês.
Segundo o proprietário da Estrelat, Roberto de Oliveira, o leite A representava 50% do faturamento da empresa e a decisão teve impacto significativo no caixa do negócio. “O principal motivo da retirada do leite A do nosso portfólio foi realmente as exigências da legislação.
Precisaríamos instalar um equipamento chamado homogenizador, que, ao nosso ver, não muda a qualidade do leite. Mas o investimento é muito alto para uma indústria pequena como a nossa”, afirmou Oliveira.
Com o fim da produção, parte do leite que antes era embalado na Estrelat passa agora a ser destinado a uma cooperativa, que o transforma em leite UHT. “Vai dar um baque grande para nós. O que pretendemos é aumentar a produção e venda do doce de leite para tentar compensar essa perda”, explicou o empresário.
Diversificação como estratégia de sobrevivência
Para mitigar os efeitos financeiros do encerramento do leite A, a Estrelat iniciou um processo de diversificação. A empresa pretende reforçar a produção de doce de leite, produto já presente no seu portfólio, e lançou uma novidade: um licor de doce de leite, que será apresentado durante a Expointer 2025.
De acordo com Oliveira, a formulação do novo licor levou mais de um ano para ser desenvolvida e já tem recebido boa aceitação do público. “Ele tem como base álcool de cereais, doce de leite e açúcar, com um toque de baunilha. A aceitação tem sido muito boa, e acreditamos que vai cair no gosto das pessoas”, disse o empreendedor.
A aposta no licor e no doce de leite reflete a tentativa da empresa em agregar valor aos seus produtos e manter a qualidade que sempre foi sua marca. “Vamos continuar produzindo leite com padrão A, usado no nosso doce de leite e agora também no licor. O importante é seguir trabalhando e ampliando os mercados”, destacou Oliveira.
Impacto para o setor lácteo local
O encerramento da produção de leite A pela Estrelat evidencia os desafios enfrentados por pequenas agroindústrias diante das exigências legais e altos custos de adequação.
Especialmente no Rio Grande do Sul, onde a produção de leite é uma das bases da economia rural, casos como este levantam debate sobre a viabilidade de manter linhas de produtos que exigem investimentos robustos sem retorno proporcional no curto prazo.
A legislação que motivou a decisão visa padronizar processos e garantir a qualidade do leite A, um produto com especificações mais rigorosas em relação ao manuseio e processamento. No entanto, para empresas de menor porte, o impacto econômico pode inviabilizar a continuidade desse tipo de produção.
Perspectivas da Estrelat
Apesar da perda de metade do faturamento, a Estrelat aposta na inovação e diversificação para se manter competitiva. A expectativa é que a presença na Expointer 2025, uma das feiras agropecuárias mais importantes do Brasil, fortaleça a imagem da marca e abra novos canais de comercialização para seus produtos derivados de leite.
O caso serve como exemplo das transformações em curso no mercado lácteo brasileiro, especialmente para empresas que operam em nichos específicos como o leite A.
A tendência de agregar valor através de produtos diferenciados, como o doce de leite e o licor, pode representar uma saída viável para enfrentar as restrições impostas por novas legislações e manter a sustentabilidade econômica no setor.
*Adaptado para eDairyNews, com informações de Independente