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30 jan 2026
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A produção de leite viabilizou casa própria, investimento e sucessão familiar sem herança ou ajuda externa 🚜
A produção de leite viabilizou casa própria, investimento e sucessão familiar sem herança ou ajuda externa 🚜
Baseada em eficiência e conforto animal, a produção de leite garante renda, estabilidade e planos futuros no meio rural 🥛

A produção de leite foi o caminho escolhido por Renato e Tatiana para transformar trabalho contínuo, decisões técnicas e vínculo com a terra em estrutura, segurança e patrimônio no campo brasileiro.

Sem herança, sem capital inicial e sem ajuda externa, o casal saiu da lavoura de café e hoje produz cerca de 1.500 litros de leite por dia com 50 vacas em lactação, no interior do país.

A trajetória foi registrada pelo canal de Daniel, que acompanhou a rotina da família e documentou o funcionamento da propriedade, da alimentação do rebanho à ordenha, passando pelo manejo da cama de compostagem e pela participação dos filhos no dia a dia da fazenda. O conteúdo expõe não apenas números, mas um modelo operacional baseado em eficiência e constância.

Renato sempre trabalhou em lavouras de café na região onde vive até hoje. A virada ocorreu em 2008, quando surgiu a oportunidade de tirar leite em um retiro de terceiros. Foram seis meses de aprendizado prático até a compra das primeiras vacas, marco que consolidou a entrada definitiva na pecuária leiteira. Desde então, o leite passou a ser a principal fonte de renda da família.

Durante quatro anos, o casal viveu de aluguel. Apenas em 2012 conseguiu construir a própria casa, financiada integralmente com recursos gerados pela produção de leite. Segundo o relato, não houve investimentos externos nem antecipação de capital: cada avanço ocorreu a partir do fluxo gerado pela atividade.

Ao longo do tempo, Renato e Tatiana ajustaram o sistema produtivo com foco em eficiência. Hoje, a fazenda opera com cerca de 50 vacas em lactação, alcançando uma relação média de aproximadamente 3 litros de leite por quilo de ração, índice considerado positivo dentro da pecuária leiteira brasileira. O desempenho é atribuído a decisões técnicas consistentes em alimentação, conforto animal e manejo diário.

A dieta do rebanho é baseada em milho, ração com 24% de proteína, caroço de algodão e casquinha de soja, utilizada como fonte de fibra e volumoso. O consumo médio gira em torno de 10 kg de ração por vaca ao dia, totalizando cerca de 500 kg diários para o lote em produção. Cada animal recebe ainda aproximadamente 2 kg de casquinha de soja peletizada.

Um ajuste relevante foi a incorporação de água diretamente na dieta. Renato relata a adição de cerca de 2 litros de água por vaca em cada vagão, o que reduz a matéria seca, melhora a palatabilidade e otimiza a ingestão. Segundo ele, a prática resultou em um ganho estimado entre 1 e 2 litros de leite por vaca, com impacto direto no volume diário produzido.

A rotina de trato é distribuída ao longo do dia, com dois vagões antes da ordenha, um no meio do dia e outro no final da tarde, assegurando oferta constante de alimento e estabilidade metabólica do rebanho.

O conforto animal é outro pilar do sistema. A propriedade utiliza barracão com cama de compostagem, revirada duas vezes ao dia — e até três em períodos de alta umidade. A temperatura da cama atinge cerca de 70 °C, favorecendo a compostagem e a redução da carga bacteriana. Ventiladores auxiliam no controle da umidade e do estresse térmico.

No interior, longe de promessas fáceis e discursos motivacionais vazios, a história de Renato e Tatiana é construída com trabalho diário, decisões difíceis e uma relação direta com a terra.
No interior, longe de promessas fáceis e discursos motivacionais vazios, a história de Renato e Tatiana é construída com trabalho diário, decisões difíceis e uma relação direta com a terra.

Na sala de espera da ordenha, aspersão de água e ventilação ajudam a manter as vacas em conforto térmico, condição essencial para a liberação adequada de ocitocina e para o desempenho produtivo.

Quando Renato afirma que hoje se considera “rico”, o conceito vai além do dinheiro. Ele se refere à estrutura construída, à previsibilidade do negócio e à capacidade de decidir com autonomia. A recria de animais já gera renda adicional, mas a família opta por avançar com cautela, respeitando os limites físicos e operacionais da propriedade.

Os filhos acompanham a rotina desde cedo, participando das atividades sem imposição. Para a família, a sucessão não é um plano formal, mas uma consequência natural de um sistema que funciona. A história mostra que, na produção de leite, riqueza é resultado de constância, técnica e decisões bem executadas ao longo do tempo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Click Petróleo e Gás

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