ESPMEXENGBRAIND
9 abr 2026
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🧬 Menos de 10 propriedades usam tecnologia que pode mudar o setor.
FIV
🌱 Iniciativa aproxima pequenos produtores da biotecnologia.

A produção leiteira em Barra Mansa pode crescer até 300% com a ampliação do uso de fertilização in vitro (FIV), tecnologia ainda restrita a menos de 10 propriedades em um universo de cerca de 150.

O dado expõe um descompasso produtivo relevante e indica onde está o principal vetor de crescimento do município.

Hoje, a cidade produz cerca de 30 mil litros de leite por dia, somando aproximadamente 1 milhão de litros por mês. Apesar da base consolidada, o desempenho médio varia drasticamente conforme o nível tecnológico adotado. Propriedades que utilizam melhoramento genético atingem cerca de 28 litros por vaca/dia, enquanto sistemas sem essa prática não chegam a 7 litros/dia por animal. Esse diferencial evidencia que o ganho não depende apenas de escala, mas de eficiência biológica.

O mecanismo por trás desse salto está na capacidade da FIV de acelerar o melhoramento genético. A técnica permite multiplicar animais com alto valor genético em menos tempo, encurtando ciclos que, na monta natural, levariam várias gerações. Na prática, isso se traduz em mais leite por vaca, melhor adaptação às condições locais e avanço contínuo do plantel.

A estratégia local busca ampliar o acesso à tecnologia por meio de uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural em parceria com o Sebrae. O foco está em três frentes: elevar produtividade, reduzir custos e aumentar a competitividade. Antes da implementação, as propriedades passam por avaliação técnica completa, incluindo manejo, nutrição, sanidade e infraestrutura, para garantir melhores índices de prenhez.

O contexto produtivo reforça o potencial dessa mudança. Barra Mansa conta com cerca de 40 mil cabeças de gado, sendo 10 mil voltadas ao leite e 30 mil ao corte. No leite, o rebanho é composto integralmente pela raça Girolando, reconhecida pela produtividade em sistemas tropicais. A estrutura industrial também está presente, com três laticínios relevantes atuando na captação e processamento: a Lactalis, a Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa e a Garça Branca.

Mesmo com essa base, o nível tecnológico ainda é considerado baixo, influenciado por fatores culturais, falta de informação e necessidade de investimento inicial. Nesse cenário, a difusão da FIV não apenas aumenta a produção, mas altera a dinâmica da cadeia, ao aproximar pequenos produtores de práticas mais intensivas em conhecimento.

Para o empresário do setor, o movimento sinaliza uma mudança de padrão produtivo. O avanço da genética tende a pressionar por maior eficiência em toda a cadeia, desde a produção primária até a indústria. Em um ambiente onde a diferença entre 7 e 28 litros por vaca define competitividade, a adoção tecnológica deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário do Vale

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