O GDT registrou queda de 1,0% no Evento 398, mas os movimentos internos revelam uma dinâmica mais complexa entre as principais commodities lácteas.
O índice médio do leilão apresentou retração marginal, porém os derivados de gordura lideraram os ganhos. A manteiga avançou 10,7%, atingindo US$ 6.751 por tonelada. A gordura anidra de leite também registrou alta de 3,8%, com preço médio de US$ 6.347 por tonelada.
No segmento de leite em pó, o desempenho foi positivo. O leite em pó integral subiu 3,6%, para US$ 3.830 por tonelada. O leite em pó desnatado avançou 3,0%, alcançando US$ 2.973 por tonelada. Já o soro em pó teve valorização de 2,5%, com preço médio de US$ 3.706 por tonelada.
Entre os queijos, o movimento foi assimétrico. O cheddar recuou 1,0%, para US$ 4.736 por tonelada. Em contraste, a muçarela apresentou alta de 5,0%, com preço médio de US$ 3.879 por tonelada. A lactose registrou valorização de 7,8%, cotada a US$ 1.519 por tonelada.
Os números do Evento 398 indicam uma recomposição seletiva de preços. Enquanto o índice agregado recua, categorias específicas ampliam ganhos de forma relevante, especialmente aquelas associadas à gordura láctea. Essa divergência reforça que o comportamento médio do índice nem sempre traduz as oportunidades ou pressões reais dentro do portfólio de produtos.

A rentabilidade potencial depende cada vez mais do mix de produtos e da capacidade de capturar ciclos diferenciados entre proteínas e gordura. Movimentos de dois dígitos na manteiga contrastam com quedas pontuais em queijos tradicionais, alterando a lógica de alocação industrial.
O leilão também evidencia volatilidade recente, com variações positivas e negativas nos eventos anteriores. O ambiente permanece sensível a ajustes de oferta e demanda, refletidos em oscilações frequentes do índice de preços.
Para o mercado brasileiro
Para o Brasil, o sinal do GDT vai além da variação de 1,0%. O que importa é a assimetria interna. A valorização consistente da gordura láctea redefine margens e incentivos industriais. Em um mercado que ainda concentra esforços em volume, a leitura estratégica passa por composição de portfólio e posicionamento de produto.
O leilão mostra que a competição global não se dá apenas por tonelada exportada, mas por categoria. Quem entender primeiro essa fragmentação de preços estará melhor preparado para capturar valor.
O desafio então não é prever o próximo leilão. É decidir hoje qual portfólio faz sentido sob essa estrutura de preços.
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