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9 fev 2026
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🔍 Preços globais dos lácteos entram em fase de ajuste: gordura perde valor e proteínas sustentam o comércio em regiões deficitárias.
📉 Preços globais dos lácteos registram queda puxada por queijo e manteiga, sinalizando pressão ao produtor em países exportadores.
📉 Preços globais dos lácteos registram queda puxada por queijo e manteiga, sinalizando pressão ao produtor em países exportadores.

Preços globais dos lácteos entraram em trajetória de queda em janeiro, refletindo um cenário de disponibilidade confortável para exportação nas principais regiões produtoras.

O movimento ocorreu em paralelo à quinta retração consecutiva do Índice de Preços de Alimentos da FAO, que atingiu média de 123,9 pontos — 0,4% abaixo do mês anterior e 0,6% inferior ao registrado um ano antes.

Entre os componentes do índice, os lácteos apresentaram o ajuste mais intenso. O indicador específico do setor caiu 5,0% frente a dezembro, em um ambiente no qual a oferta superou a demanda sazonal. Para operadores do mercado, o dado reforça uma mudança de curto prazo: o equilíbrio deixou de ser determinado por escassez e passou a ser moldado pela abundância.

Queijo e manteiga lideraram as perdas. A maior disponibilidade exportável reduziu o poder de sustentação dos preços, especialmente em produtos com alto teor de gordura. O comportamento sugere que estoques adequados — ou até superiores ao necessário — estão limitando reações de alta mesmo em períodos tradicionalmente mais firmes para o consumo.

Na direção oposta, o leite em pó desnatado registrou valorização. A FAO atribui o avanço à retomada das importações por países do Oriente Próximo, Norte da África e partes da Ásia. O fluxo indica que ingredientes proteicos seguem estratégicos para mercados com déficit estrutural de produção, mantendo um vetor de demanda relativamente resiliente.

Esse descolamento entre gordura e proteína ajuda a explicar a atual configuração do comércio internacional. Enquanto derivados mais energéticos enfrentam pressão, ingredientes voltados à formulação industrial continuam encontrando compradores. Para empresas com portfólio diversificado, a leitura é clara: mix de produtos pode ser determinante para atravessar ciclos de preços mais baixos.

O ajuste nos lácteos também ocorreu dentro de um quadro mais amplo de commodities. Carnes e açúcar recuaram no mesmo período, ao passo que os óleos vegetais subiram impulsionados por restrições de oferta e pela demanda ligada a biocombustíveis. O contraste evidencia que, embora os alimentos compartilhem fatores macroeconômicos, cada cadeia responde a fundamentos próprios.

No campo das projeções, a FAO estima que a produção global de cereais alcance um recorde de 3,023 bilhões de toneladas em 2025. O resultado seria sustentado por maiores colheitas de trigo na Argentina, Canadá e União Europeia, além da expansão do milho na China e nos Estados Unidos. Uma base robusta de grãos tende a favorecer a estabilidade dos preços alimentares, reduzindo riscos inflacionários ao longo da cadeia.

Para o setor leiteiro, o momento é descrito como uma fase de conforto pelo lado da oferta, e não de tensão pela demanda. Países importadores se beneficiam de condições mais previsíveis, potencialmente ampliando sua capacidade de compra.

Já para exportadores — sobretudo aqueles com custos de produção elevados — o cenário pode significar compressão das margens e maior pressão sobre os preços pagos ao produtor. Em termos estratégicos, o sinal não é apenas conjuntural: indica um mercado mais sensível ao volume disponível do que à urgência por abastecimento.

A leitura central para tomadores de decisão é objetiva: quando a oferta dita o ritmo, eficiência operacional, gestão de custos e posicionamento comercial deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para competir.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy News Today

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