ESPMEXENGBRAIND
10 fev 2026
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🐄 Inteligência artificial acompanha saúde e reprodução de 23,5 mil vacas e já mostra ganhos produtivos e sanitários em propriedades do Paraná.
📊 Com inteligência artificial, projeto cobre 68% do leite entregue à indústria e reforça decisões baseadas em dados no campo.
📊 Com inteligência artificial, projeto cobre 68% do leite entregue à indústria e reforça decisões baseadas em dados no campo.

Inteligência artificial passou a integrar a rotina de 23,5 mil bovinos de leite monitorados pela Frísia Cooperativa Agroindustrial no Paraná, em um movimento que amplia o uso de dados para decisões produtivas e sanitárias.

O Projeto Monitore já alcança 109 propriedades e representa mais de 50% dos produtores da cooperativa, responsáveis por cerca de 68% do volume diário destinado à indústria.

O sistema acompanha continuamente saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico do rebanho. A iniciativa integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, e concentra-se em categorias consideradas mais sensíveis, como vacas em lactação, animais no período seco e novilhas próximas ao parto.

A tecnologia opera por meio de colares eletrônicos instalados em vacas Holandesa e Jersey. Os dispositivos registram padrões de movimentação, ruminação, ingestão alimentar, descanso e ofegação. Os dados são enviados a antenas nas propriedades e processados em uma plataforma digital acessível por celular tanto aos produtores quanto à equipe técnica.

A decisão de adoção foi construída com os cooperados por meio do Comitê Pecuário. Segundo a cooperativa, o objetivo é ampliar simultaneamente saúde e produção, com capacidade de intervenção antes que problemas se agravem. A participação não distingue o porte das fazendas, priorizando adesão ao sistema.

Para viabilizar o projeto, a Frísia subsidiou parte da infraestrutura, incluindo a instalação de antenas. O produtor paga uma mensalidade por animal monitorado equivalente a cerca de um terço do valor praticado no mercado, reduzindo a barreira de entrada para a tecnologia.

Os primeiros efeitos relatados surgiram na reprodução e na saúde animal. A detecção de cio, antes dependente principalmente da observação visual, passou a gerar alertas no momento adequado para inseminação. O sistema também identifica alterações comportamentais que podem sinalizar o início de doenças, muitas vezes antes de sinais clínicos visíveis, permitindo medidas preventivas e tratamento mais cedo, com potencial redução no uso de medicamentos.

Os dados reprodutivos já indicam desempenho elevado em algumas propriedades, com taxas de prenhez acima de 35%. No Brasil, índices médios costumam variar entre 18% e 24%, o que posiciona esses resultados em um patamar superior.

O monitoramento do estresse térmico acrescenta outra camada operacional. O aumento do tempo de ofegação ou de permanência em pé pode indicar dificuldade para dissipar calor. Com essas informações, o produtor pode ajustar ventilação, sombra e manejo para preservar o bem-estar e evitar perdas produtivas.

Indicadores de ruminação e tempo de cocho funcionam como sinais diretos de consumo alimentar. Reduções na ingestão são rapidamente sinalizadas, permitindo correções na dieta e no manejo antes que o impacto se amplifique.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa brasileira Cowmed e funciona como um acompanhamento permanente do comportamento animal. Cada dispositivo realiza 25 amostragens por segundo, e os algoritmos geram alertas automáticos relacionados à saúde, cio, nutrição e bem-estar. Nas análises da empresa, a precisão dos alertas de saúde pode superar 95%.

Além da dimensão operacional, o investimento em monitoramento também comunica ao mercado um interesse por eficiência, desenvolvimento e bem-estar animal, ao mesmo tempo em que amplia a transparência do sistema de produção.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Presente Rural

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