O Laticínio Alto Alegre encerrou 2025 com faturamento de R$ 360 milhões e avança para uma reconfiguração do seu mix de produtos, com foco em maior captura de valor a partir da matéria-prima.
A estratégia, anunciada durante a comemoração de 25 anos da indústria em Verê, indica um movimento claro dentro da cadeia: menos volume indiferenciado e mais direcionamento para produtos com maior processamento e aproveitamento industrial.
Mais valor por litro e diversificação de receita
A decisão de elevar a participação de queijo fatiado, nata e do aproveitamento do soro de leite de 15% para 20% altera a lógica de captura de receita. Ao priorizar categorias com maior nível de industrialização, o laticínio busca ampliar margens sem necessariamente expandir a base produtiva no mesmo ritmo.
Esse ajuste também redistribui a relevância interna das linhas, reduzindo a dependência de produtos menos elaborados e ampliando a presença em segmentos que dialogam diretamente com o varejo e com mercados de suplementação.
Industrialização e aproveitamento integral
O vetor técnico dessa mudança está no melhor uso do soro de leite, hoje já direcionado à suplementação alimentar de humanos e animais. O próximo passo é incorporar um processo de secagem, o que permitiria transformar esse subproduto em novos itens, ampliando o portfólio e reduzindo perdas industriais.
Na prática, trata-se de avançar na lógica de aproveitamento integral da matéria-prima, convertendo resíduos em fonte adicional de receita. Esse movimento, além de econômico, também responde à necessidade de eficiência operacional dentro da indústria.
Base produtiva e capilaridade comercial
O Laticínio Alto Alegre opera com fornecimento de 450 produtores do Paraná e de Santa Catarina, o que garante escala e regularidade na captação. Ao mesmo tempo, a distribuição já alcança empresas do varejo em oito estados, indicando uma estrutura comercial consolidada para absorver o aumento de produtos com maior valor agregado.
Com 220 colaboradores e origem em uma associação criada por 23 sócios, a trajetória da empresa mostra a transição de um modelo associativo para uma indústria de alcance regional e nacional. Atualmente, são 16 sócios, o que sugere um processo de consolidação ao longo do tempo.
A movimentação sinaliza que a competitividade não está apenas na expansão de volume, mas na capacidade de transformar leite em produtos mais sofisticados e diversificados. Para produtores, isso reforça a importância de uma base estável de fornecimento alinhada à indústria. Para o varejo, amplia a oferta de itens com maior processamento.
Ao mesmo tempo, o foco no soro de leite evidencia uma tendência de redução de desperdícios e de monetização de subprodutos, com impacto direto na eficiência econômica da operação.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal de Beltrão






