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6 mar 2026
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Vídeos sobre leite cru acumulam milhões de views — mas especialistas alertam para riscos reais à saúde. 🥛
O leite cru virou tendência nas redes, mas a ciência continua apontando outra direção. ⚠️
O leite cru virou tendência nas redes, mas a ciência continua apontando outra direção ⚠️

Milhões de visualizações. Um conceito sedutor: o “natural”. E uma pergunta simples que voltou às conversas online: beber leite cru faz bem ou traz riscos?

O leite cru voltou a ganhar visibilidade nas redes sociais, especialmente em vídeos que o apresentam como uma alternativa “mais natural” ao leite pasteurizado. No TikTok, conteúdos com a hashtag “raw milk” acumulam milhões de visualizações e despertam curiosidade entre consumidores interessados em alimentos menos processados.

Apesar do interesse crescente, especialistas alertam que o consumo desse tipo de produto envolve riscos sanitários conhecidos. No Brasil, a comercialização de leite não pasteurizado é proibida desde 1969 justamente por causa do potencial de transmissão de doenças.

Segundo o nutricionista Ícaro Cazumbá, conselheiro do Conselho Federal de Nutrição (CFN), a ideia de que alimentos naturais são automaticamente mais saudáveis é comum, mas nem sempre se sustenta cientificamente. No caso do leite cru, não há evidências de vantagens nutricionais em comparação com o leite pasteurizado.

A diferença central entre os dois está no processo de pasteurização. Esse tratamento térmico aquece o leite por um período controlado e depois o resfria rapidamente. O objetivo é eliminar microrganismos potencialmente perigosos sem alterar de forma relevante o valor nutricional do alimento.

Sem esse processo, o leite pode conter vírus, bactérias ou parasitas adquiridos durante a ordenha, no contato com o ambiente ou no armazenamento. Entre os agentes infecciosos associados ao consumo de leite cru estão bactérias como Salmonella, que pode causar gastroenterite intensa; Escherichia coli, responsável por infecções intestinais; Listeria monocytogenes, ligada à listeriose; e Brucella, agente da brucelose.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver infecções ao consumir leite não pasteurizado, alguns grupos são considerados mais vulneráveis. Crianças pequenas, gestantes, idosos, pessoas imunocomprometidas ou indivíduos com doenças gastrointestinais prévias têm maior risco de complicações e quadros mais graves.

Dados citados por autoridades de saúde reforçam essa preocupação. Nos Estados Unidos, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) registraram mais de 200 surtos de doenças transmitidas por alimentos associados ao consumo de leite cru entre 1998 e 2018.

Outro ponto recorrente no debate são os supostos benefícios atribuídos ao produto nas redes sociais. Entre os mitos mais difundidos estão afirmações de que o leite cru seria mais nutritivo, mais fácil de digerir ou capaz de fortalecer a imunidade. No entanto, estudos científicos indicam que proteínas, cálcio e vitaminas permanecem praticamente intactos após a pasteurização.

Além disso, trocar o leite pasteurizado pelo cru não resolve problemas como intolerância à lactose, já que o açúcar do leite continua presente em ambas as versões.

Diante desse cenário, o consenso entre profissionais de saúde permanece claro: a pasteurização continua sendo a forma mais segura de disponibilizar leite para consumo. Segundo especialistas, não há benefício comprovado que compense o risco potencial associado ao consumo do produto cru.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal Drauzio Varella

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