O leite de cabra foi o grande destaque de um novo estudo conduzido por pesquisadores chineses que analisaram os efeitos do consumo de diferentes tipos de leite sobre a saúde muscular, óssea e intestinal durante o envelhecimento.
A pesquisa, realizada com camundongos, comparou quatro variações de leite e apontou que o leite de cabra — especialmente na versão desnatada e fortificada — apresentou resultados superiores na regeneração muscular e na redução de processos inflamatórios associados à perda de massa magra.
De acordo com os cientistas responsáveis pelo trabalho, o objetivo foi entender como a composição do leite influencia mecanismos-chave do envelhecimento, como o metabolismo muscular, a autofagia celular e o equilíbrio da microbiota intestinal. Nesse contexto, o leite de cabra mostrou desempenho consistente, superando outras alternativas avaliadas, incluindo o leite bovino.
Os resultados indicaram que os animais alimentados com leite de cabra fortificado apresentaram maior ativação de vias relacionadas à síntese proteica muscular, além de níveis reduzidos de marcadores inflamatórios frequentemente associados à sarcopenia — a perda progressiva de massa e força muscular comum com o avanço da idade. Segundo os autores, esse efeito sugere uma ação mais eficiente do leite de cabra na preservação da função muscular ao longo do tempo.
Outro ponto de destaque do estudo foi o impacto positivo do leite de cabra sobre o intestino. Os camundongos que consumiram essa variedade apresentaram aumento significativo de micro-organismos benéficos na microbiota intestinal, fator diretamente ligado à melhora do metabolismo, da absorção de nutrientes e da resposta inflamatória do organismo. Para os pesquisadores, esse equilíbrio intestinal ajuda a explicar parte dos benefícios observados na saúde muscular e óssea.
A composição do leite aparece como elemento central para esses resultados. O leite de cabra possui glóbulos de gordura menores, perfil proteico distinto e diferentes proporções de minerais quando comparado ao leite de vaca. Além disso, na versão utilizada no experimento, houve fortificação com cálcio e vitamina D, nutrientes reconhecidos por seu papel na saúde óssea e muscular. Essa combinação potencializou os efeitos observados, especialmente na recuperação da densidade óssea e da força física dos animais.
Embora todos os tipos de leite testados tenham contribuído, em alguma medida, para a recuperação da massa muscular e da estrutura óssea, o leite de cabra desnatado e fortificado apresentou os melhores resultados globais. Na avaliação dos autores, isso reforça a ideia de que não apenas o consumo de leite, mas o tipo e a composição do produto, fazem diferença no envelhecimento saudável.
Os cientistas destacam que o estudo foi conduzido em modelo animal, o que exige cautela na extrapolação direta para humanos. Ainda assim, os achados são considerados relevantes por abrirem novas linhas de investigação sobre o papel do leite de cabra na nutrição funcional e preventiva, especialmente em populações envelhecidas.
Para o público em geral, a pesquisa oferece uma leitura interessante e acessível sobre como escolhas alimentares podem impactar o corpo ao longo dos anos. O leite de cabra, tradicional em diversas culturas e ainda pouco explorado em alguns mercados, surge como uma alternativa que combina digestibilidade, perfil nutricional diferenciado e potencial funcional.
Os autores do estudo afirmam que novos ensaios clínicos em humanos serão necessários para confirmar os efeitos observados. Ainda assim, o trabalho reforça uma tendência crescente na ciência da nutrição: olhar além do alimento básico e analisar como sua matriz nutricional pode influenciar sistemas complexos do organismo, como músculos, ossos e intestino.
Em um cenário de envelhecimento populacional acelerado, pesquisas como essa ajudam a ampliar o debate sobre estratégias alimentares simples, acessíveis e baseadas em evidência científica. E, nesse estudo específico, o leite de cabra mostrou que tem argumentos sólidos para ocupar um lugar de destaque nessa conversa.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de CBR






