O leite em pó colocou o Uruguai na liderança das exportações para a Argélia, ao atingir 39% de participação no segmento de leite em pó integral no acumulado até outubro de 2025.
O dado, divulgado pelo Instituto Nacional do Leite com base em estatísticas espelho, indica que o país superou a Nova Zelândia, que ficou com 29%, enquanto a Argentina alcançou 28%.
O segmento de leite em pó integral responde por 54% das importações lácteas argelinas, o que amplia o peso estratégico dessa liderança. A Argélia é um dos principais destinos globais para leite em pó e mercado de referência no Norte da África, historicamente associado ao fornecimento neozelandês.
Mesmo em um cenário de retração, o reposicionamento uruguaio se consolidou. Entre janeiro e outubro de 2025, a Argélia importou US$ 1,275 bilhão em lácteos, queda de 7% na comparação anual. A redução atingiu todos os principais produtos: leite em pó desnatado recuou 27%, leite em pó integral caiu 8%, fórmulas infantis diminuíram 20% e queijos recuaram 7%.
Apesar da contração, o Uruguai avançou no ranking geral de fornecedores e passou a ocupar a segunda posição no total das importações argelinas, com 22% de participação. A União Europeia lidera com 38%, seguida por Nova Zelândia com 17% e Argentina com 16%.
A estrutura por produto evidencia concentração. No leite em pó desnatado, que representa 28% das compras externas da Argélia, a União Europeia detém 86% do mercado. Em queijos, equivalentes a 8% das importações, o bloco europeu responde por 82%, à frente da Nova Zelândia com 8% e do Reino Unido com 6%. Já em fórmulas infantis, que somam 7%, a concentração é ainda maior: 92% vêm da União Europeia e 8% da Suíça.
Nesse contexto, a presença uruguaia depende fundamentalmente do desempenho em leite em pó integral. A mudança de liderança sinaliza uma redistribuição de oferta em um mercado sensível a preços e volumes, em meio a um ambiente global de forte concorrência.
A Argélia segue como destino-chave para excedentes exportáveis de leite em pó. O avanço uruguaio, ao deslocar a Nova Zelândia no principal item importado, altera o equilíbrio competitivo em um dos mercados mais relevantes do Norte da África.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Tardáguila






