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29 mar 2026
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O Irã avança no leite em pó desnatado e surpreende o mercado global com foco regional e crescimento acelerado nas exportações.
Crescimento forte coloca o Irã entre os líderes do leite em pó desnatado, com exportações concentradas em países vizinhos.
Crescimento forte coloca o Irã entre os líderes do leite em pó desnatado, com exportações concentradas em países vizinhos.

Leite em pó desnatado pode não ser o primeiro produto que vem à mente quando se pensa no Irã.

Mas é justamente aí que está a surpresa: o país vem ganhando espaço silenciosamente e já figura entre os principais exportadores globais.

Conhecido historicamente por sua força em petróleo e gás, o Irã vem diversificando sua presença internacional — e o setor lácteo é um dos vetores dessa transformação. Em 2025, o país alcançou a quarta posição mundial nas exportações de leite em pó desnatado (LPD), ficando atrás apenas da União Europeia, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, e ultrapassando a Austrália.

Os números ajudam a dimensionar o avanço. Foram exportadas 180.092 toneladas de LPD em 2025, um salto de 37,5% em relação a 2024 e um crescimento superior a 133 mil toneladas quando comparado a 2021. Trata-se de uma expansão consistente, sustentada por estratégia comercial e proximidade geográfica.

Essa proximidade, aliás, é um dos pilares do modelo iraniano. As exportações estão fortemente concentradas em países vizinhos: o Iraque responde por 29% do total, enquanto o Paquistão absorve 23%. O padrão se repete em outros produtos lácteos, como o iogurte, no qual o Irã ocupa a segunda posição global. Das 184.786 toneladas exportadas, cerca de 135 mil têm como destino o Iraque, seguido por Paquistão e Afeganistão.

Esse perfil revela uma estratégia clara: dominar mercados regionais antes de avançar globalmente. Ao priorizar países próximos, o Irã reduz custos logísticos, aumenta competitividade e constrói relações comerciais mais estáveis.

Para o mercado internacional, o crescimento iraniano não é apenas uma curiosidade estatística — tem implicações concretas. A forte dependência de países vizinhos cria um sistema sensível a interrupções. Qualquer instabilidade nas exportações do Irã pode forçar esses compradores a buscar fornecedores alternativos, alterando fluxos comerciais e pressionando preços internacionais.

Além disso, o avanço no leite em pó desnatado reforça uma tendência mais ampla: novos players regionais ganhando relevância em segmentos tradicionalmente dominados por grandes exportadores. Em um cenário global cada vez mais volátil, a diversificação de origens e destinos tende a se intensificar.

O caso iraniano ilustra como mudanças silenciosas podem redesenhar o mapa do comércio lácteo. Sem alarde, o país consolida posição, amplia volumes e se torna uma peça relevante — especialmente em sua região de influência.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Fedeleche

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