O cenário da criação de búfalos está em plena ascensão no Brasil, e uma fazenda leiteira desses animais tem sido notabilizada por suas criações excepcionais; Conheça uma das maiores fazendas leiteiras de búfalos no Brasil
BUFALOS
"a fazenda destaca-se não apenas como a maior do país, mas também pela qualidade dos queijos produzidos com o leite de búfala."
No Brasil, o leite mais prevalente é, inquestionavelmente, o de vaca. No entanto, um protagonista emergente tem se destacado na produção de deliciosos queijos: o leite de búfala. O cenário de criação de búfalos está em plena ascensão no país, e uma fazenda leiteira desses animais tem se notabilizado por suas criações excepcionais tem se notabilizado por suas criações excepcionais.

A versatilidade e adaptabilidade do búfalo, aliadas à sua rusticidade, o tornam um animal multifuncional que desempenha papéis cruciais na produção de carne, leite e como força de trabalho no campo. O Brasil ostenta o título de maior rebanho de búfalos do Ocidente, com um efetivo impressionante de 1,4 milhão de animais distribuídos por diversas regiões, inclusive em áreas antes consideradas inadequadas para a criação de bovinos. Acompanhe!

História da Fazenda da Búfalo do Dourado

fazenda leiteira de búfalos no Brasil
Foto: SIte da fazenda

A maior fazenda de leite de búfala do Brasil, conhecida como Fazenda da Búfalo do Dourado, localiza-se em São Paulo, no interior do estado. Sob a gestão dos irmãos Fábio e Ricardo Cotrin, a fazenda representa um grande empreendimento. Enquanto um dos irmãos cuida da fazenda, o outro é responsável pela produção de leite. O terceiro irmão, Rodrigo, também contribuiu anteriormente com a parte comercial da empresa.

Antes de se dedicarem à criação de búfalos, a família Cotrin já havia explorado diversos setores, como fabricação, posto de gasolina, motéis, construção e restaurante. A mudança para a vida no campo começou como um hobby do pai, que começou a criar vacas para aproveitar o leite. Esse interesse inicial evoluiu para a produção de queijos, inicialmente para amigos e familiares, até se transformar em um empreendimento significativo.

fazenda leiteira de búfalos no Brasil
Queijo de búfalo Foto: Divulgação

A transição para a criação de búfalos ocorreu mais tarde, quando a família conheceu a empresa Búfalo Dourado, especializada na produção de laticínios. Após se interessarem pelo projeto, os irmãos Cotrin decidiram investir, adquirindo a marca, os búfalos e os produtos. Atualmente, a fazenda destaca-se não apenas como a maior do país, mas também pela qualidade dos queijos produzidos com o leite de búfala.

fazenda leiteira de búfalos no Brasil
Foto: Divulgação

Desafios e técnicas de produção

A empresa possui uma variedade de produtos que incluem requeijão de búfala, manteiga, queijo fresco, muçarela em trança e a burrata, responsável por 30% da produção. O primeiro desafio enfrentado pelos irmãos no setor foi a baixa produção de leite pelas búfalas entre novembro e março, período chuvoso. Para contornar esse problema, eles adotaram a técnica de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), comumente utilizada em bovinos.

No procedimento, as fêmeas recebem uma indução hormonal cerca de 30 dias após o parto. Após uma avaliação do útero e ovário, cerca de 10 dias depois, elas recebem mais hormônios, e a inseminação ocorre precisamente às 15 horas do dia seguinte. A gestação dura em média 300 dias, e na fazenda dos irmãos Cotrin, a taxa de prenhez atinge 60%, o que significa que 60 em cada 100 fêmeas engravidam.

A técnica não apenas melhora a genética dos búfalos, mas também auxilia na seleção da raça Mediterrâneo, preferida pelos produtores devido ao porte compacto, pele escura e pelos grossos que proporcionam leite e carne de qualidade. Antes da implementação da metodologia, todos os búfalos eram mestiços, mas agora, todo bezerro nascido na fazenda pertence à raça Mediterrâneo. A origem do rebanho e do sêmen é a Itália, escolhida devido à origem do queijo muçarela e à ascendência do rebanho, garantindo a qualidade do produto final similar à italiana.

Comercialização e cuidados com os animais

Além disso, trazer o sêmen de fora contribui para evitar problemas de consanguinidade nas criações brasileiras de búfalos, permitindo que a fazenda se destaque. O investimento em genética possibilitou até mesmo a venda de animais, gerando uma lista de espera para os bezerros que ainda estão por nascer. Dois anos atrás, as fêmeas eram vendidas com 5 meses de idade por cerca de R$ 3.000, enquanto os machos, mais acessíveis, custavam em torno de R$ 500.

Foto: Divulgação

Esses animais são comercializados para uma fazenda especializada na criação e engorda de búfalos, com planos futuros para a produção de carne, destaca-se pela atenção dedicada aos filhotes desde o nascimento. Os cuidados incluem a cura do umbigo e a alimentação com leite duas vezes ao dia, até que passem a receber ração e água a partir dos 60 dias de vida. Os machos são encaminhados para novos proprietários, enquanto as fêmeas são transferidas para piquetes, onde podem pastar, aprimorando a eficiência do produto final.

Mudanças na produção

Os irmãos Cotrin optaram por abandonar a prática de criação em espaços fechados, permitindo que as búfalas se movimentem livremente no pasto. Essa decisão resultou na redução dos custos dos animais, que mudam de piquete diariamente em um sistema composto por 18 piquetes com formato semelhante ao de uma pizza. O pasto possui uma estrutura de pivô de controle, incluindo um bebedouro, o que reduz a movimentação dos animais para buscar água. Além disso, a efetividade desse método mantém os pastos sempre verdes, com o excedente transformado em feno, vendido a outros criadores da região.

Foto: Divulgação

A ordenha das búfalas ocorre duas vezes ao dia, com cada fêmea produzindo cerca de 9 litros diariamente. Embora esse volume seja menor em comparação com a produção de vacas, na indústria, o leite de búfala acaba rendendo mais. Para produzir 1 kg de queijo, por exemplo, são necessários apenas 5 litros de leite de búfala, em comparação com os 10 litros de leite de vaca. A ordenha é realizada sem a presença dos bezerros, um dos objetivos alcançados após um período de 5 anos de dedicação, durante o qual as fêmeas foram gradualmente acostumadas a separar-se de seus filhotes.

Expansão do negócio

A produção de burrata, introduzida na fazenda em 2014, representou um marco significativo. Os irmãos viajaram para a Itália, aprendendo técnicas e contratando queijeiros do país para aprimorar a produção. Essas inovações também possibilitaram um maior investimento na indústria. Os irmãos Fábio, Rodrigo e Ricardo desenvolveram dois tipos de leite, processando diariamente 10.000 litros tanto da fazenda quanto de outros produtores locais. Em 2020, integraram uma plataforma de produção de queijo gerida por um fundo de investimentos especializado em agronegócio e médias empresas do setor.

A empresa expandiu seu negócio, buscando alcançar outros produtores e implementar avanços tecnológicos para aprimorar os processos. Antes do financiamento, o foco da empresa era predominantemente nas vendas para São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, devido à logística de entrega de produtos frescos. Atualmente, esse mercado foi ampliado devido ao investimento realizado, que trouxe melhorias na segurança dos produtos, garantindo a manutenção da qualidade durante o envio.

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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