A manteiga voltou ao centro da discussão sobre inflamação e saúde cardiovascular, em um momento em que consumidores revisitam escolhas alimentares antes consideradas definitivas.
O que antes era tratado como consenso começa a ganhar nuances.
Durante décadas, a gordura saturada presente na manteiga sustentou a reputação de vilã da dieta. No entanto, com o avanço de estudos científicos citados pela nutricionista Sandra Moñino, autora do livro Adeus à Inflamação, a percepção mudou.
Segundo ela, a manteiga não aumenta o risco de problemas no coração nem de AVC quando há tolerância aos laticínios.
O ponto de inflexão está menos na gordura em si e mais na resposta individual do organismo. A tolerância à lactose aparece como critério decisivo. Para quem digere bem laticínios, a manteiga e até o queijo não representariam um problema no contexto inflamatório.
Já pessoas intolerantes devem optar por alternativas como manteiga de leite de cabra, de ovelha ou manteiga ghee, que não contém lactose e é quase livre de caseína.
Esse ajuste de narrativa tem impacto direto na comparação histórica com a margarina. Quando a manteiga passou a ser vista como prejudicial, a margarina assumiu o posto de alternativa considerada saudável. Hoje, a leitura é mais crítica. Por ser um alimento processado, a margarina pode trazer riscos associados a esse tipo de produto, exigindo maior atenção na escolha.
No debate sobre inflamação, o grau de processamento passa a ser um marcador relevante. A recomendação é priorizar opções mais naturais e avaliar a composição antes de decidir. O foco deixa de ser apenas a quantidade de gordura saturada e se amplia para a qualidade do alimento.
As diferenças calóricas também entram na equação, ainda que próximas entre si. Em porções aproximadas de 14 gramas, a manteiga tradicional apresenta cerca de 100 kcal. A manteiga de ovelha varia entre 99 e 102 kcal, enquanto a de cabra fica entre 98 e 101 kcal.
A margarina oscila entre 101 e 105 kcal. Já a manteiga ghee alcança cerca de 125 kcal na mesma medida. O azeite de oliva extravirgem, com 13,5 gramas, registra 119 kcal.
Para o consumidor que equilibra sabor, saúde e informação, a mensagem é menos radical do que no passado. A manteiga deixa de ser automaticamente condenada e passa a depender do perfil individual e do contexto alimentar.
No fim, a inflamação não se resume a um único ingrediente. A decisão envolve tolerância, processamento e quantidade. E isso muda o jogo na hora de passar algo no pão.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de NSC Total






