A manteiga é presença quase automática na mesa do café da manhã brasileiro.
Está no pão francês recém-saído da padaria, na torrada do fim de semana, no biscoito simples que acompanha o café passado na hora. Pequena em tamanho, mas decisiva em sabor e textura, ela carrega uma expectativa silenciosa: derreter na medida certa e entregar prazer, não frustração.
Nem sempre isso acontece. Em um mercado cada vez mais pressionado por preço, a manteiga também virou alvo de escolhas apressadas, que muitas vezes resultam em produtos pálidos, excessivamente gordurosos ou com aroma pouco convidativo. Foi a partir dessa constatação cotidiana que o portal Paladar decidiu colocar a manteiga à prova.
Para isso, o veículo reuniu um grupo de especialistas e promoveu uma avaliação sensorial comparativa de dezenas de marcas de manteiga sem sal disponíveis no Brasil. O foco esteve em critérios clássicos da análise sensorial: aparência, coloração, textura ao toque, aroma e sabor em boca. O objetivo não foi buscar sofisticação extrema, mas identificar qual manteiga melhor cumpre o papel essencial de acompanhar alimentos simples do dia a dia.
Após a rodada de testes, a manteiga Galbani, produzida no Brasil pela Lactalis, obteve a maior pontuação geral e foi eleita a melhor manteiga do país pelos especialistas convidados. Segundo a avaliação, o produto se destacou por uma combinação equilibrada de atributos, sem excessos ou defeitos evidentes.
Os jurados destacaram, em primeiro lugar, a coloração amarelo-palha, considerada visualmente atraente e coerente com a expectativa do consumidor. A textura foi descrita como macia e fácil de espalhar, sem resistência excessiva nem sensação oleosa. No aroma, a manteiga apresentou notas lácteas agradáveis e limpas, enquanto no sabor mostrou delicadeza, sem amargor ou residual gorduroso.
Ainda de acordo com os especialistas, um dos diferenciais da manteiga vencedora foi justamente “não cansar” o paladar. Ao invés de dominar o alimento, ela acompanha o pão, a torrada ou o biscoito, reforçando o sabor sem se impor — uma característica valorizada em um produto de consumo cotidiano.
Embora a Galbani tenha ficado no topo do ranking, o teste não se resumiu a um único destaque. Ao todo, outras 13 marcas de manteiga sem sal foram avaliadas, muitas delas amplamente conhecidas do público brasileiro e com forte presença nas gôndolas dos supermercados.
A lista de marcas analisadas incluiu: Président, Danone, Aviação, Batavo, Catupiry, D’Or, Fazenda Bela Vista, Gran Mestri, Itambé, La Serenissima, Roni, Tirolez e Xandô. A diversidade reflete tanto grandes indústrias quanto produtores com posicionamento mais premium.
A manteiga Président, também fabricada pela Lactalis, alcançou a segunda colocação no ranking. Segundo o júri, o produto apresentou textura sedosa, aroma lácteo delicado e sabor equilibrado, ficando muito próxima da campeã. A diferença, segundo os avaliadores, esteve em nuances sutis de textura e persistência em boca.
Já a Danone ficou com o terceiro lugar. Apesar de apresentar aroma e sabor suaves, a manteiga foi avaliada como menos cremosa. Os especialistas também observaram uma coloração mais esbranquiçada, aspecto que acabou pesando negativamente na pontuação final, mesmo sem comprometer a qualidade geral do produto.
O ranking, mais do que eleger vencedores, ajuda a jogar luz sobre um alimento cotidiano que costuma passar despercebido. Ao separar atributos sensoriais e compará-los de forma estruturada, a avaliação mostra que diferenças existem — e são perceptíveis — mesmo entre produtos aparentemente semelhantes.
Para o consumidor, o teste funciona como um convite à atenção. Na próxima compra, observar cor, textura e aroma pode ser tão importante quanto olhar o preço. Afinal, quando a manteiga acerta, ela transforma o simples em especial — exatamente como se espera de um clássico da mesa brasileira.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Crusoe






