Alimentação representa 70% do custo da produção pecuária
leite
"A quantidade produzida e a qualidade da silagem refletiram para os cooperados no aumento da produção de leite de aproximadamente 20%, aumentando a renda do produtor de leite na região"
Na atividade leiteira, além de se dedicar à criação dos animais, é importante o produtor rural também compreender os princípios da agricultura para desta forma produzir silagem na própria fazenda. A alimentação do rebanho representa até 70% do custo de produção, e os animais necessitam de quantidade suficiente e elevada qualidade para atender as demandas nutricionais diárias com eficiência técnica e econômica.

Isso envolve conhecimento sobre cultivo, escolha adequada de híbridos de milho, manejo do plantio e da colheita, além de entender os fatores que influenciam na qualidade da forragem. Ao integrar esses conhecimentos, o produtor rural pode maximizar a produtividade e a qualidade da silagem, contribuindo para o sucesso geral da atividade leiteira.

Na Apta Regional de Pindamonhangaba (SP) foram conduzidos experimentos em condições de campo no setor de Bovinocultura Leiteira, em parceria com a COMEVAP (Cooperativa de Laticínios do Médio Vale do Paraíba) e com a Universidade de Taubaté (UNITAU), com o objetivo de avaliar a produção e a qualidade de quatro e oito cultivares de milho para produção de silagem, no primeiro e segundo ano, respectivamente.

 — Foto: Globo Rural
— Foto: Globo Rural

Os resultados preliminares demonstraram que a produtividade média das cultivares avaliadas atingiu 37 (primeiro ano) e 42 (segundo ano) toneladas de matéria natural por hectare e 12,95 (primeiro ano) e 14,70 (segundo ano) toneladas de matéria seca por hectare.

A quantidade produzida e a qualidade da silagem refletiram para os cooperados no aumento da produção de leite de aproximadamente 20%, aumentando a renda do produtor de leite na região.

A pesquisa apontou que alguns pontos são de extrema importância para o sucesso da lavoura de milho para a silagem, como:

  • A escolha do híbrido é a etapa crucial no planejamento do processo de ensilagem, esta deve ser baseada em informações pertinentes das áreas, clima e problemas fitossanitários;
  • A escolha de materiais que contenham características desejáveis, principalmente, grande quantidade de massa verde produzida por área, alta porcentagem de grão na forragem e boa digestibilidade da parte fibrosa da planta;
  • O híbrido, deve fornecer uma silagem de planta inteira com cerca de 40 a 45% de grãos, de onde se tem o fornecimento do amido. O restante, de 55% a 60%, será composto por outras partes da planta, como folhas, colmo e bainha.

O produtor deve estar atento também para as três fases cruciais na produção de uma silagem de milho de boa qualidade: plantio e condução agronômica; colheita e ensilagem; e desensilagem e fornecimento. Estas três fases são complementares, ou seja, falhas em qualquer uma serão cumulativas na qualidade final do produto. O ponto de colheita na produção da silagem de milho é de extrema importância.

Inúmeros estudos foram realizados com objetivo de determinar o melhor momento para a colheita do milho para silagem e o ponto ideal de colheita é quando a planta possui 30-35% de MS ou 65 a 70% de umidade. Esse estágio é, geralmente, atingido quando a linha do leite está entre 1/2 e 2/3 do grão.

Em estudos sobre o ponto de colheita de milho para silagem foi verificado que ocorre um aumento nos teores de MS e amido do milho com o avançar da sua maturidade fisiológica, e ainda que no ponto de colheita com 2/3 da linha do leite foram encontrados o máximo de amido e o menor teor de fibra na silagem de milho.

Deste modo, quando ocorrer atrasos na colheita por falhas de planejamento, chuvas, quebra de maquinário, dentre outros fatores, ocorrem prejuízos enormes na qualidade da silagem produzida e, consequentemente, refletirá no menor desempenho dos animais.

Por outro lado, a colheita do milho para silagem com o grão ainda leitoso, colhe-se somente 50% e 75% do potencial de grãos e da forragem, respectivamente.

Já quando o milho é colhido no ponto ideal, com a linha do leite na metade do grão e a planta apresenta o teor de MS próxima a 35%, colhe-se 95% e 100% dos grãos e da forragem, respectivamente.

O tamanho da partícula do material a ser ensilado influencia muito no processo fermentativo, na qualidade da silagem e na resposta dos animais. Para confecção de uma silagem de milho de boa qualidade, o tamanho de partícula em que o material deve ser picado tem que variar de 6 a 15 mm, mantendo-se um tamanho médio de 8 mm.

Em silagens com tamanho de partículas grandes dificulta muito a compactação, ocorre menor quebra dos grãos de milho, reduz o aproveitamento do amido e ocorre perdas com aparecimento de grãos nas fezes dos animais. Desta forma, ocorre redução no consumo de nutrientes pelas vacas e, consequentemente, redução na produção de leite e na rentabilidade do produtor rural.

Neste caso, o procedimento mais simples é a regulagem e afiamento das facas da ensiladeira, pelo menos duas vezes ao dia, para picagem correta do material a ser ensilado. Estas medidas são simples, sem custo e resolvem facilmente esses problemas.

Sendo assim, o produtor sempre deve prezar pela produção de silagem de milho de alta qualidade para o balanceamento de dieta de vacas leiteiras, pois pode trazer inúmeros benefícios, tais como: elevado consumo de MS e energia, redução na quantidade de ração concentrada por litro de leite produzido e, consequentemente, maior produtividade de leite por área com menor custo.

Portanto, no processo de gestão para produzir silagens de boa qualidade devemos adotar práticas de manejo de maneira integrada, já que a negligência de um procedimento pode levar todo esforço ao fracasso da preservação da forragem e, consequentemente, prejuízos significativos na produção de leite e na rentabilidade do produtor.

*Ricardo Dias Signoretti é pesquisador científico Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta Regional)

Obs: As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural

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