Biotecnologia passa a ocupar papel central na estratégia de fortalecimento da cadeia leiteira do Paraná com a expansão do Projeto Queijos Finos, iniciativa que busca transformar produção artesanal em produtos de maior valor agregado e ampliar a competitividade regional.
A parceria entre o Biopark e o Governo do Estado será oficializada durante o Show Rural Coopavel 2026 e marca a extensão do projeto para novas regiões. O movimento indica uma tentativa de replicar um modelo que já alcançou reconhecimento internacional, refletido nas 72 medalhas conquistadas pelos queijos desenvolvidos dentro da iniciativa.
O avanço ocorre em um ambiente que combina pesquisa aplicada, educação e empreendedorismo. Instalado em uma área de 5 milhões de metros quadrados e apoiado por 23 laboratórios, o ecossistema aposta na chamada economia simbiótica para aproximar inovação tecnológica da rentabilidade no campo. Para produtores, o sinal mais direto é a possibilidade de capturar margens superiores por meio da diferenciação do produto.
O histórico de investimento também revela a dimensão do projeto. Mais de R$ 500 milhões já foram direcionados à estrutura em Toledo, criando uma base industrial e científica capaz de sustentar a expansão. Ao levar essa capacidade para outras áreas do estado, a iniciativa sugere uma mudança de escala na produção de queijos finos paranaenses.
Outro vetor relevante é o lançamento da terceira edição do Conecta Queijo, programa que utiliza biotecnologia avançada para qualificar processos e padronizar resultados. A presença da Queijaria Flor da Terra comercializando produtos premiados durante a feira funciona como vitrine prática do potencial econômico do modelo.
A agenda também inclui medidas voltadas à eficiência operacional. O Centro de Tecnologia em Máquinas e Equipamentos e a iniciativa de Gestão Hídrica reforçam a integração entre inovação industrial e sustentabilidade no uso de recursos naturais, fatores cada vez mais associados à competitividade do agronegócio.
No campo de mercado, o programa Alimentos do Futuro propõe aproximar pesquisa tecnológica da indústria alimentícia de maior valor, enquanto uma rodada de negócios organizada com o Sebrae/PR pretende acelerar conexões entre startups e grandes empresas. Esse tipo de articulação tende a reduzir barreiras para investimento e estimular novas soluções para a cadeia.
A formação de talentos aparece como outro componente estrutural. Estudantes da Faculdade Donaduzzi participarão de um hackathon voltado à aplicação de inteligência artificial em desafios do setor produtivo, sinalizando que a digitalização também passa a integrar o horizonte estratégico do ecossistema.
Reconhecido pela Anprotec como o melhor hub de inovação do Brasil em 2025, o Biopark utiliza o evento para demonstrar a escalabilidade do modelo desenvolvido em Toledo. Segundo o vice-presidente Paulo Rocha, a parceria com o governo evidencia que educação, pesquisa e empreendedorismo podem operar de forma conjunta para transformar a realidade dos produtores.
Para tomadores de decisão, a expansão sugere uma inflexão relevante: a biotecnologia deixa de ser diferencial pontual e passa a atuar como instrumento de política produtiva, com potencial de reposicionar o Paraná em segmentos de maior valor dentro do mercado de lácteos.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Aldeia






