Nestlé FY25 será apresentado em 19 de fevereiro sob expectativa elevada do mercado, após um ciclo marcado por troca de liderança, recall global de fórmula infantil e revisão estratégica.
O foco agora recai sobre como a companhia pretende restaurar competitividade e reforçar disciplina operacional.
O recall de fórmula infantil permanece como principal risco imediato. A empresa afirma que os produtos afetados representam menos de 0,5% das vendas, enquanto estimativas de bancos apontam perdas entre CHF 1 bilhão e CHF 1,3 bilhão. Investidores devem questionar a metodologia desses cálculos, eventuais revisões após novos recolhimentos e possíveis efeitos duradouros sobre níveis de estoque e espaço nas prateleiras.
Outro ponto sensível é o futuro do negócio de Waters. A companhia avalia otimizar o portfólio e pode avançar na venda de até 50% da unidade, terceira maior fonte de receita depois de Bebidas e Confeitaria. O segmento enfrenta pressões tarifárias e já atraiu o interesse de instituições financeiras e consultorias, indicando que alternativas estratégicas estão ganhando tração.
A gestão de preços também deve dominar a agenda. Após anos de repasses para compensar custos, valores elevados afetaram o sentimento do consumidor, sobretudo em confeitaria. Com café e cacau em trajetória de queda, a empresa ajustou preços ao longo do FY25 para proteger volumes e buscar um mix positivo no próximo exercício, embora o desafio seja preservar desempenho durante essa transição.
Café e confeitaria seguem como motores de crescimento orgânico do grupo. O café mostrou maior resiliência, mantendo avanço mesmo após aumentos de preço, enquanto a confeitaria reagiu apesar do trade down observado entre consumidores.
A estratégia de inovação tende a mudar de lógica. Em vez de lançamentos isolados, a companhia pretende desenvolver plataformas plurianuais. O café frio aparece como alavanca relevante, com projetos que incluem concentrados de espresso, bebidas prontas para consumo e receitas frias aplicadas a marcas como Starbucks e Nespresso. Na confeitaria, melhorias em embalagem, sabor e conceitos híbridos como a linha Chocobakery ilustram essa abordagem.
No plano operacional, a liderança já sinalizou intervenção em 18 células de negócios com baixo desempenho. O mercado espera maior clareza sobre quais unidades serão priorizadas e como o aumento do investimento em marketing sustentará crescimento.
A exposição à demanda associada aos medicamentos GLP-1 adiciona uma camada estratégica. A empresa foi uma das primeiras a entrar no segmento de alimentos compatíveis com esse público, mas analistas alertam que até 40% das vendas líquidas podem estar em risco com mudanças no consumo, exigindo visão de longo prazo.
Por fim, a participação de 20% na L’Oréal deve voltar ao debate. O ativo tem peso relevante na avaliação de mercado da companhia e uma eventual venda poderia ampliar a flexibilidade do balanço, apoiando geração de caixa e compromissos com dividendos.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter






