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29 jan 2026
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Investimentos bilionários e foco em sólidos explicam a nova matemática do leite nos EUA 📊
A nova matemática do leite revela como fazendas eficientes sobrevivem com preços pressionados 💡
A nova matemática do leite revela como fazendas eficientes sobrevivem com preços pressionados 💡

A nova matemática do leite nos Estados Unidos está redesenhando a lógica econômica das fazendas leiteiras em 2026, deslocando o centro do lucro do pagamento do leite para fontes complementares como carne bovina e sólidos do leite.

O diagnóstico é de Curtis Bosma, da HighGround Dairy, que descreve o momento como uma “tempestade perfeita” formada por oferta elevada, demanda crescente por proteína e um mercado de carne que transformou um subproduto histórico em pilar financeiro.

Por décadas, a venda de animais para abate respondia por cerca de 5% da receita de uma fazenda leiteira. Hoje, esse percentual alcança 20% a 25%, impulsionado principalmente pelos bezerros de cruzamento entre raças leiteiras e de corte. Animais com um dia de vida chegam a valer até US$ 1.200, convertendo o chamado “reembolso do corte” em principal gerador de margem para muitas operações.

Segundo Bosma, há vacas mantidas no rebanho não apenas pela produção de leite, mas pelo valor futuro do bezerro que carregam. “Existem animais que não se sustentariam economicamente apenas pelo leite, mas permanecem porque estão prenhas de um bezerro de corte”, afirmou em entrevista ao programa AgriTalk, com Chip Flory. Esse raciocínio altera decisões de descarte, reprodução e genética, com impacto direto no fluxo de caixa.

Do lado do leite, o crescimento do volume chama atenção — a produção avançou 4,5% em base anual até novembro —, mas a verdadeira transformação está na composição. Mais de US$ 11 bilhões foram investidos em novas plantas industriais de última geração, voltadas não ao volume líquido, mas ao teor de sólidos. Para Gregg Doud, presidente e CEO da National Milk Producers Federation, o momento é inédito. “Não há nada parecido na história da pecuária dos EUA, de qualquer commodity, em qualquer lugar do mundo”, afirmou.

Os produtores responderam com investimentos em genética e nutrição para elevar gordura e proteína. Os resultados são visíveis: o teor médio de gordura do leite alcançou 4,23% em 2024, batendo recordes pelo quarto ano consecutivo, enquanto a proteína chegou a 3,29%, segundo dados das Ordens Federais de Comercialização de Leite. Contudo, o avanço não é simétrico. O CoBank aponta que a gordura cresce em ritmo duas vezes maior que a proteína, criando desafios específicos para a indústria de queijos, que depende do equilíbrio entre os componentes.

Geograficamente, a expansão tem um epicentro claro. Dakota do Sul desponta como motor do crescimento, atraindo famílias de estados com custos mais altos e regulações mais rígidas, como a Califórnia. Ambiente de negócios favorável, menor pressão ambiental e alimentação mais barata explicam a migração para as Planícies.

Na demanda, fatores inesperados sustentam o consumo. A popularização de medicamentos à base de GLP-1, usados para perda de peso, deslocou o foco do consumidor para a “eficiência da ingestão”, elevando a procura por proteínas de alta qualidade. Nesse contexto, whey e derivados lácteos ganham status de proteína “limpa”. Paralelamente, o retorno do leite integral às escolas é visto como estratégico: não altera volumes de imediato, mas fortalece preferências de longo prazo.

Com contratos futuros de Classe III girando em torno de US$ 15 por cwt, a pressão permanece. Bosma observa que produtores eficientes sobrevivem ao explorar receitas além do leite, como carne, créditos de carbono via biodigestores e energia solar. “Quem acessa essas fontes pode não sentir uma crise de caixa até o leite chegar a US$ 12. Para quem depende só do leite, US$ 15 já é um nível muito difícil”, resume.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Canal do Leite

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