Brasil protagonismo alimentos sustentáveis deixou de ser apenas um conceito técnico ou institucional para se tornar uma percepção social amplamente compartilhada.
Segundo pesquisa realizada pela Ajinomoto do Brasil em parceria com a Nexus, 84% dos brasileiros reconhecem o país como protagonista na produção global de alimentos, sendo que 43% o colocam na liderança direta desse processo.
O dado, à primeira vista positivo, carrega uma mensagem mais profunda — e estratégica — para a indústria de alimentos e, em especial, para o setor lácteo, um dos pilares históricos do abastecimento nacional e da inserção internacional do Brasil.
O apoio existe. A legitimidade também. Mas não é incondicional.
Liderar, sim — mas para quem?
Quando a pesquisa avança para a pergunta central — qual deve ser a prioridade da produção de alimentos no Brasil — o recado da sociedade se torna cristalino. 62% dos brasileiros defendem que o abastecimento interno deve ser prioridade total ou maior do que a exportação.
Apenas 8% acreditam que o foco deveria estar majoritariamente no mercado externo.
No caso da indústria láctea brasileira, cuja base é majoritariamente voltada ao mercado interno, esse dado reforça a centralidade do setor no debate sobre segurança alimentar, preços e acesso aos alimentos. Não se trata de rejeição às exportações, mas de uma demanda social por equilíbrio, com clara hierarquia: primeiro o mercado interno, depois o mundo.
Para a indústria, isso inaugura um novo patamar de cobrança pública. Exportar deixa de ser apenas uma decisão econômica e passa a exigir licença social, especialmente em contextos de pressão inflacionária sobre alimentos básicos.
O consumidor não rejeita a indústria — ele a responsabiliza
Outro eixo estruturante do estudo é a percepção sobre sistemas alimentares sustentáveis. Os números falam por si:
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84% defendem políticas públicas para incentivar produção sustentável
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83% querem mais alimentos sustentáveis nas prateleiras
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80% acreditam que a forma de produzir e consumir precisa mudar
Mais do que uma tendência, a sustentabilidade surge como expectativa mínima. Para o setor lácteo, isso significa que temas como bem-estar animal, uso eficiente de recursos, emissões, rastreabilidade e impacto ambiental deixaram de ser discurso técnico e passaram a integrar a lógica de escolha do consumidor.
Sustentabilidade como critério de valor — não como slogan
A pesquisa mostra que 74% das pessoas veem a sustentabilidade como diferencial competitivo real entre marcas.
O dado é ainda mais forte entre consumidores com ensino superior, maior renda e residentes da região Sul — exatamente o público que consome produtos lácteos de maior valor agregado, como queijos especiais, lácteos funcionais e linhas premium.
Aqui, a mensagem é direta: quem não comprovar, ficará para trás.
A indústria láctea brasileira tem escala, tecnologia e conhecimento para responder a essa demanda. O desafio não é técnico — é estratégico e comunicacional. Não basta fazer; é preciso mostrar, medir e explicar.
Um novo contrato entre sociedade e produção
O estudo revela algo ainda mais relevante: o brasileiro não é contra a indústria, nem contra o agronegócio. Pelo contrário. Ele reconhece sua importância global, sua capacidade produtiva e seu papel econômico.
O que muda é o contrato implícito. A sociedade espera que esse protagonismo venha acompanhado de:
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Acesso a alimentos no mercado interno
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Preços compatíveis com a renda
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Práticas sustentáveis verificáveis
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Responsabilidade compartilhada entre empresas e governo
Para o setor lácteo, isso representa uma oportunidade histórica de reposicionamento: sair da defensiva e assumir o papel de provedor estratégico de segurança alimentar, dentro e fora do país.
Liderança que se constrói todos os dias
O Brasil já é potência alimentar. O desafio agora é ser reconhecido como potência responsável.
Na leiteria, isso passa por equilibrar exportação com abastecimento, eficiência com propósito, escala com legitimidade social.
O apoio está dado. A confiança também. Mas, a partir de agora, ela precisará ser renovada todos os dias.
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