A alteração do nome do leite gordo para leite inteiro, não é apenas uma questão de marketing ou de mercado, sendo antes uma estratégia para eliminar o consumo de um alimento que se pretende demonizar pelo seu teor de gordura, mas que durante séculos foi consumido e apreciado pelos seus nutrientes, pela energia que fornecia e pelos sabores que proporcionava.
É o campo ideal para os movimentos wokistas porem em causa a nossa herança cultural no que se refere aos alimentos que consumimos.
Escolher leite vegetal em alternativa ao leite de vaca, é muitas vezes apresentado como um ato superior, para o nosso corpo e para o planeta, esquecendo-se os custos ambientais da produção de amêndoas, de soja e de aveia em escala massiva, para além de nem todos os produtos “plant-based” serem saudáveis.
Nos últimos anos temos assistido a tentativas do wokismo de mudar os hábitos culturais da generalidade da população, adquiridos ao longo dos séculos de História, ficcionando que os produtos alimentares de origem animal são um fardo para o ambiente, criando anátemas sociais para quem prefira manter e persistir nesse tipo de alimentação.
As modas alimentares são cíclicas, exemplo disso é o comércio das especiarias da Índia no século XVI, mas ultimamente essas tendências têm-se vindo a acentuar, como bandeiras moralistas e ideológicas, tratando-se os consumidores, que mantenham os seus hábitos de sempre, com desdém ou como culturalmente desinformados. É um sinal dos tempos em que vivemos.
Numa época de grande avanço da ciência e da tecnologia, há espaço para evoluir, aprender e melhorar os nossos hábitos alimentares, não se questionando os benefícios de uma alimentação mais equilibrada ou de respeito pelo ambiente.
Contudo, quando as escolhas se tornam imposições, explicitas ou subtis, corremos o risco de sermos subjugados por novos déspotas iluminados, agora da alimentação humana, amanhã de outros costumes e finalmente a imposição cultural absoluta e total.
O maior problema nem é a alteração do nome do leite gordo ou o debate sobre os seus benefícios ou malefícios para a saúde, mas sim o de estarmos a perder paulatinamente o direito de escolher os alimentos que consumimos de acordo com a nossa herança cultural e as nossas preferências.
Numa sociedade dita inclusiva e respeitadora da diversidade, como agora se diz, seria de esperar que todas as preferências alimentares fossem respeitadas. Nada a opor a quem prefira leite magro ou o chamado leite vegetal, mas deve haver opção para quem pretenda leite gordo, chamem-lhe inteiro ou o que quiserem, mas que a livre escolha não desapareça.
Quando um produto alimentar deixa de estar disponível no mercado, havendo um número suficiente de pessoas que o queiram comprar e assegurem a sua viabilidade económica, estamos a ser empurrados para um modelo de sociedade padronizado em que uma entidade supostamente superior decide por nós, o que é melhor para nós. Absolutamente surreal.
A alimentação deve ser um espaço de liberdade, de prazer e de equilíbrio. O wokismo e as novas modas alimentares querem impor às populações uma mudança de hábitos culturais, estando progressiva e eficazmente a originar novas formas de pressão social com vista a atingir o objetivo pretendido.
A alteração do nome do leite gordo para leite inteiro e a sua escassez nas prateleiras dos supermercados, insere-se na subtil mudança cultural em curso.
Um futuro com mais saúde, mais respeito e mais consciência alimentar, também deve incluir a liberdade de escolher, com informação, sem culpas e com os sabores de sempre. O ato de comer e beber é muito mais que uma necessidade biológica. É um ato de liberdade e de cultura.
Vivemos numa época em que até o leite gordo necessita de uma nova designação comercial para não ofender uma determinada elite cultural em ascensão. Isto é o prenúncio de um tempo novo que não trará nada de bom à Humanidade. Felizmente, ainda há quem resista.
– Fernando Pedroso, Líder da bancada do CHEGA na AMO e Adjunto do Conselho Jurisdicional do CHEGA