A pecuária leiteira do Paraná vem registrando avanços consistentes em produção e rentabilidade a partir da combinação entre manejo do solo, uso eficiente da água e assistência técnica continuada.
Os resultados observados em propriedades familiares refletem a atuação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em parceria com o Programa Ação Integra Solo e Água (Aisa), da Itaipu Binacional, que atende mais de mil produtores por ano.
Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, o desempenho da atividade está diretamente associado às condições naturais e às estratégias adotadas no campo. Para ele, a combinação entre solo fértil, disponibilidade hídrica e qualidade das pastagens cria uma base produtiva diferenciada, potencializada pelas ações técnicas implementadas, o que se traduz em maior geração de renda ao produtor rural.
Um exemplo concreto vem do sítio São Sebastião, em Goioerê, conduzido por agricultura familiar. A propriedade, tocada por pai e filho, conta com 16 vacas em lactação e, com o acompanhamento do IDR-Paraná, mais do que dobrou tanto o volume de leite quanto a receita mensal. De acordo com o técnico Salvador Sarto, a produção média diária passou de 125 litros entre 2021 e 2022 para 268 litros em 2024 e 2025, alcançando atualmente cerca de 300 litros por dia. A receita mensal evoluiu de R$ 10.929 para R$ 22.140.
Benedito Teodoro da Silva, produtor com mais de cinco décadas de experiência na atividade, destaca o papel da assistência técnica no planejamento da propriedade. Ele afirma que o suporte recebido foi decisivo para estruturar projetos e melhorar os resultados. Seu filho, Ricardo, reforça que a atividade leiteira exige controle rigoroso diante das variações climáticas e nutricionais. Segundo ele, a introdução de planilhas de gestão, controle de custos e mudanças no manejo permitiu superar dificuldades iniciais e ganhar previsibilidade produtiva.
Outro caso relevante está no município de Pato Bragado, no Oeste do Paraná. O produtor Sérgio Paulo Marshnier atua na produção de leite desde 1990 e, junto com a família, ingressou no programa em 2021. Com orientação do técnico Adilson Winter, o volume de leite da propriedade cresceu 72,23%. Antes da assistência, a produção diária era de 440 litros; atualmente, atinge 763 litros.
Entre as práticas adotadas estão melhorias na criação de bezerras e novilhas, balanceamento nutricional do rebanho, correção e adubação do solo, uso de dejetos animais como fertilizante e implantação de plantas de cobertura para favorecer a infiltração e retenção de água. Segundo o técnico, a receita mensal da propriedade também aumentou, passando de R$ 5.138 para R$ 7.165, evidenciando ganhos de eficiência mesmo em unidades de pequeno porte.
O programa Aisa atua há cerca de cinco anos investigando a relação entre uso do solo, comportamento da água e impactos na produção agropecuária. A iniciativa abrange 228 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul, dentro da área do reservatório de Itaipu, reunindo um amplo banco de dados sobre solo, clima, vegetação, hidrologia e sistemas produtivos.
Com base nessas informações, o IDR-Paraná orienta mudanças estruturais nas propriedades, com foco em eficiência e sustentabilidade. Para a coordenadora de Pesquisa do IDR-Paraná, Simony Lugão, são ajustes técnicos que parecem simples, mas produzem efeitos relevantes no desempenho econômico do produtor.
Em escala estadual, os resultados se refletem nos indicadores do setor. Em 2025, segundo dados do IBGE e do Deral, o Paraná contava com cerca de 114 mil propriedades leiteiras e registrou crescimento de 10% na produção, alcançando 1 bilhão de litros apenas no primeiro trimestre, mantendo-se como o segundo maior produtor de leite do Brasil. Estudos do IDR-Paraná indicam que a assistência técnica é decisiva para elevar a competitividade, especialmente entre pequenos e médios produtores, maioria na estrutura produtiva do Estado.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrolink






