ESPMEXENGBRAIND
6 mar 2026
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Após nove meses de recuo, preço do leite ao produtor registra alta em janeiro, mas oferta elevada e consumo sensível limitam recuperação 📊
Leve reação no preço do leite ao produtor marca início de 2026, enquanto custos e mercado abastecido mantêm pressão sobre margens 🥛
Leve reação no preço do leite ao produtor marca início de 2026, enquanto custos e mercado abastecido mantêm pressão sobre margens 🥛

O preço do leite ao produtor voltou a subir em janeiro de 2026 após nove meses consecutivos de queda.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, indicam que o valor médio nacional alcançou R$ 2,0216 por litro, avanço de 0,9% em relação a dezembro de 2025.

A reação interrompe um longo período de desvalorização, mas ainda ocorre em um ambiente de oferta elevada e margens pressionadas para os produtores. Mesmo com a recuperação mensal, o valor permanece significativamente abaixo do observado um ano antes. Na comparação com janeiro do ano passado, há uma queda de 26,9% nos preços corrigidos pela inflação.

Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento de alta reflete ajustes pontuais na produção em diferentes regiões produtoras. Esses ajustes contribuíram para a leve recuperação do preço do leite ao produtor, mas ainda não alteraram o quadro geral de abastecimento do mercado.

A oferta continua elevada, o que limita movimentos mais intensos de valorização ao longo da cadeia. Para o produtor, o cenário permanece desafiador, especialmente após um período prolongado de queda nos preços ao longo de 2025.

Ao mesmo tempo, os custos de produção voltaram a subir no início do ano. Em janeiro, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade avançou 1,32% na média nacional. O aumento reforça a pressão sobre a rentabilidade, que já vinha enfraquecida pelos valores mais baixos pagos pelo leite.

Entre os principais fatores de custo, o milho segue impactando o poder de compra do produtor. Em janeiro, foram necessários 33,56 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos do grão. O volume é menor que o registrado em dezembro, mas ainda permanece acima da média observada nos últimos 12 meses.

Com margens mais apertadas, a tendência é de redução nos investimentos na atividade. Esse comportamento pode influenciar decisões produtivas ao longo do ano. Além disso, fatores sazonais também contribuíram para a diminuição na captação de leite.

Do lado da indústria, a recuperação dos preços enfrenta obstáculos adicionais. O consumo no varejo permanece sensível aos valores cobrados, o que reduz a capacidade de repasse de custos ao longo da cadeia.

Esse ambiente de demanda cautelosa foi acompanhado por novas quedas nos preços médios de derivados em janeiro, incluindo leite UHT, muçarela e leite em pó. A retração nesses produtos também contribui para limitar movimentos mais fortes de valorização da matéria-prima.

O mercado externo adiciona outro elemento ao cenário. As importações de lácteos cresceram 8% na comparação mensal. As exportações também aumentaram, mas em volume menor, o que não foi suficiente para equilibrar a oferta interna.

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da recuperação do preço do leite ao produtor, ainda que de forma gradual. A evolução dependerá principalmente do ritmo de escoamento dos estoques e da reação do consumo no mercado doméstico.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agro2

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