ESPMEXENGBRAIND
19 jan 2026
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Com incentivos financeiros e negociações tributárias, o preço do leite pode voltar a subir em MS no início do outono 📈
Depois de perder até 43% em 2025, o preço do leite em MS pode ganhar fôlego com novas medidas setoriais 🔄
Depois de perder até 43% em 2025, o preço do leite em MS pode ganhar fôlego com novas medidas setoriais 🔄

O preço do leite pago aos produtores de Mato Grosso do Sul pode apresentar reação a partir de março de 2026, segundo avaliação da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Leite (Assuleite).

A expectativa surge após um ano marcado por forte instabilidade, quedas acentuadas e um comportamento considerado atípico para o setor leiteiro regional.

De acordo com a entidade, 2025 registrou movimentos que contrariaram o padrão histórico do mercado. Em entrevista ao Portal Primeira Página, o presidente da Assuleite, Éder Souza, afirmou que o setor enfrentou picos pontuais seguidos de retrações intensas, mesmo em períodos tradicionalmente associados à valorização do leite.

Segundo Souza, pequenos produtores chegaram a receber entre R$ 3,00 e R$ 3,50 por litro nos momentos de maior valorização ao longo de 2025. No entanto, no início de 2026, o valor médio pago caiu para cerca de R$ 1,60 por litro, o que representa uma redução aproximada de 43%. Para o dirigente, esse movimento ocorreu na contramão do comportamento esperado durante a estação seca, quando a menor oferta costuma pressionar os preços para cima.

Ainda conforme a avaliação da Assuleite, mesmo com a redução da produção em determinados períodos do ano passado, o mercado não reagiu como previsto. A situação se agravou com a chegada das chuvas, quando o aumento do volume produzido encontrou dificuldades de escoamento por parte das indústrias, ampliando a pressão sobre os valores pagos ao produtor.

É nesse contexto que o mês de março aparece como um ponto de inflexão para o setor. Souza explica que, historicamente, o início do outono marca uma retomada gradual dos preços, tendência observada ao longo de vários anos consecutivos. Para 2026, essa expectativa é reforçada pela entrada em vigor de novos incentivos financeiros direcionados ao produtor rural.

Entre essas medidas está o programa ExtraLeite, citado pela entidade como um fator relevante para a recomposição da renda no campo. O incentivo financeiro tem como objetivo valorizar a pecuária leiteira no estado e criar condições para maior previsibilidade na remuneração do produtor, em um cenário ainda marcado por custos elevados e margens estreitas.

Além do apoio direto ao pecuarista, o setor industrial também pode se beneficiar de avanços na área tributária. Estão em curso negociações entre o governo estadual, laticínios e entidades representativas com o objetivo de tornar as indústrias locais mais competitivas frente a produtos acabados provenientes de outros estados ou do exterior.

Entre os itens citados estão derivados como muçarela, iogurtes e margarina, que chegam ao mercado sul-mato-grossense competindo com a produção local. A avaliação do setor é que ajustes tributários podem reduzir assimetrias competitivas e fortalecer a cadeia produtiva dentro do estado.

No plano nacional, outro fator acompanhado de perto pelos produtores é o avanço das discussões sobre importações de lácteos. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) solicitou a abertura de investigação antidumping, especialmente em relação a produtos oriundos do Uruguai. O pedido foi acatado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o que elevou a expectativa de uma eventual revisão nas regras de entrada desses produtos no país.

Souza observa que a dinâmica das importações influencia diretamente o equilíbrio do mercado interno. Segundo ele, quando há redução no volume importado, parte da produção de outros estados tende a buscar novos mercados, criando oportunidades para o escoamento do excedente em Mato Grosso do Sul. Nesse cenário, o apoio tributário aos laticínios locais é visto como essencial para garantir competitividade e evitar perdas adicionais de valor ao produtor.

Para a Assuleite, a combinação entre incentivos financeiros ao pecuarista, melhorias no ambiente tributário e possíveis ajustes na política de importações cria condições para uma recuperação gradual do setor. Ainda assim, a entidade mantém cautela e ressalta que a retomada do preço do leite dependerá da capacidade das indústrias de absorver a produção e de repassar ganhos ao longo da cadeia.

Ao final, Souza reforça que março representa um marco recorrente de melhoria nos preços e que, em 2026, essa tendência pode se repetir, desde que as medidas em discussão se consolidem. Para os produtores sul-mato-grossenses, o período é visto como uma oportunidade de reequilibrar perdas acumuladas e restaurar a sustentabilidade econômica da atividade.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de PP

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