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23 jan 2026
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🥛 Produção de leite avança no Paraná com assistência técnica, manejo de pastagens e investimentos da Itaipu Binacional.
Produtor Francarlos Bueno Sudak: projeto permite melhorar aa produção leiteira e adotar novas tecnologias — Foto: Arquivo pessoal
Produtor Francarlos Bueno Sudak: projeto permite melhorar aa produção leiteira e adotar novas tecnologias — Foto: Arquivo pessoal

A produção de leite em pequenas propriedades do Paraná ganhou escala e eficiência a partir da adoção de práticas integradas de manejo do solo, da água e das pastagens, apoiadas por investimentos da Itaipu Binacional e por assistência técnica continuada.

Em quatro anos, produtores atendidos pelo Programa Ação Integra Solo e Água (Aisa) relataram aumentos expressivos de produtividade, com casos de triplicação do volume diário de leite.

Um desses exemplos é o de Francarlos Bueno Sudak, produtor em Porto Rico, no noroeste do Estado. Em 2020, ao trocar a profissão de treinador de cavalos pela atividade leiteira em um sítio de 14 hectares, Sudak iniciou a produção com 25 vacas e cerca de 200 litros diários. Atualmente, mantém 45 animais, dos quais 34 em lactação, e produz aproximadamente 700 litros por dia, distribuídos em duas ordenhas.

Em Alto Paraná, a cerca de 120 quilômetros dali, Ademar Rodrigues Sobrinho seguiu caminho semelhante. Após quatro décadas dedicadas à sericultura, migrou para a produção de leite na mesma área de 14 hectares. No início, extraía cerca de 320 litros por dia, com média de nove litros por vaca. Hoje, com 42 vacas em lactação e produtividade média de 17 litros por animal, ultrapassa os 700 litros diários.

O ponto de inflexão para ambos foi a entrada, em 2021, no Aisa, programa coordenado pela Itaipu Binacional em parceria com a Embrapa, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Esalq/USP e a Faped. No período, a Itaipu investiu R$ 25,94 milhões em 17 projetos voltados à integração entre conservação ambiental e produção agropecuária.

Segundo Sudak, a principal mudança veio do manejo das pastagens e da nutrição animal. Com orientação técnica, passou a investir em adubação adequada, divisão da área em 27 piquetes para pastejo rotacionado e produção de silagem de capim para os meses de inverno. “As vacas produziam em média 13 a 14 litros e já chegaram a 23 litros. Tivemos animais com mais de 50 litros em um dia”, relata o produtor, ao destacar também o nascimento de cerca de 40 bezerras, destinadas à reposição do rebanho.

A assistência técnica do IDR-Paraná foi decisiva, segundo o produtor, não apenas na parte produtiva, mas também na gestão. O acompanhamento incluiu orientações sobre financiamento de equipamentos, ampliação de estruturas, custeio e controle de gastos. Ainda assim, Sudak reconhece as dificuldades do momento. “O preço do litro hoje gira em torno de R$ 1,85, bem abaixo do que já recebemos no passado. Mesmo assim, com custo controlado, consigo seguir na atividade”, afirma.

De acordo com o técnico agrícola Ivanildo Passareli, que acompanha a propriedade, a escolha de Sudak para integrar o projeto se deu pelo perfil do produtor. “Há quem queira assistência sem assumir compromissos. Aqui foi diferente. Ele adotou as recomendações, produz volumoso e silagem, reduziu custos e mantém margem mesmo em períodos de preço baixo”, explica.

Em Alto Paraná, Ademar Sobrinho também seguiu as recomendações técnicas, reformando pastagens degradadas, recuperando o solo, adquirindo 12 novilhas e implantando a produção de silagem. “Achava que silagem aumentava custo, mas percebi que produzir a própria alimentação reduz despesas e mantém a produção no inverno”, relata. Segundo ele, a renda melhorou de forma significativa desde a adesão ao programa, embora a rotina de duas ordenhas diárias limite o tempo para outras atividades.

A coordenadora do Projeto Intensificação Sustentável da Pecuária Leiteira, Simony Marta Bernardo Lugão, do IDR-Paraná, explica que o Aisa atendeu diretamente 40 produtores em três microbacias ligadas ao reservatório da Itaipu, mobilizando mais de 50 técnicos em visitas mensais. Indiretamente, as ações alcançaram mais de mil produtores por meio de dias de campo e capacitações.

Ela destaca que o Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil e que 79% dos produtores são familiares, responsáveis por apenas 19% do volume total do Estado. “A alimentação representa cerca de 75% do custo da atividade. Pastagens bem manejadas aumentam a oferta de alimento e garantem produção também no inverno”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a intensificação sustentável permitiu elevar a lotação de uma para até seis vacas por hectare e ampliar a produtividade anual de 4 mil para cerca de 12 mil litros por hectare. O programa também avançou em gestão, sanidade animal e qualidade do leite.

O Aisa encerrou sua primeira fase no final de 2025 e inicia agora uma segunda etapa, com foco na adoção em larga escala das tecnologias já validadas. Para a Itaipu, conforme destacou o diretor-geral brasileiro Enio Verri, a preservação da água e a segurança hídrica são estratégicas tanto para a produção agropecuária quanto para a geração de energia no longo prazo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural

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