ESPMEXENGBRAIND
11 fev 2026
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Dados oficiais mostram que a produção de leite em Goiás superou o Brasil, exigindo ações para equilibrar o mercado 🐄
Expansão da produção de leite em Goiás impulsiona o setor, mas pressiona renda do produtor ⚖️
Expansão da produção de leite em Goiás impulsiona o setor, mas pressiona renda do produtor ⚖️

A produção de leite em Goiás registrou crescimento acima da média nacional em 2025, consolidando o estado como um dos polos de expansão do setor leiteiro brasileiro, embora o avanço da oferta tenha provocado queda nos preços pagos ao produtor ao longo do segundo semestre do ano.

Os dados constam do boletim Agro em Dados, divulgado em janeiro pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, Goiás industrializou 1,1 bilhão de litros de leite no primeiro semestre de 2025, o que representa um crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, a média nacional avançou 6,7%.

O desempenho goiano manteve ritmo ainda mais acelerado no terceiro trimestre. Entre julho e setembro, a captação de leite no estado alcançou 593,1 milhões de litros, com alta de 10,6% na comparação anual. Para a Seapa, os números refletem ganhos de eficiência produtiva, maior organização da cadeia e investimentos contínuos em tecnologia e manejo.

No entanto, o crescimento da produção de leite trouxe efeitos colaterais relevantes para a rentabilidade do produtor. Com o aumento da oferta no mercado interno, os preços começaram a recuar a partir do segundo semestre de 2025. De acordo com o boletim, novembro marcou o menor valor médio do ano, com o litro do leite comercializado a R$ 2,02.

A Seapa atribui a desvalorização principalmente ao desequilíbrio entre oferta e demanda, que reduziu o poder de negociação dos produtores, especialmente dos de menor escala. O cenário reforçou a necessidade de mecanismos de regulação e apoio à renda, em um contexto de custos de produção ainda elevados.

Diante desse quadro, o governo federal anunciou uma compra emergencial de leite em pó por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), operacionalizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A medida tem como objetivo retirar parte da oferta do mercado, contribuir para a sustentação de preços e fortalecer a renda da agricultura familiar.

Em Goiás, a iniciativa prevê a aplicação de R$ 6 milhões na aquisição de aproximadamente 143 toneladas de leite em pó. Segundo a Seapa, os recursos beneficiarão cooperativas e associações de produtores familiares, ao mesmo tempo em que o produto adquirido será destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social, ampliando o alcance social da política pública.

Outro fator relevante para o setor leiteiro goiano em 2025 foi o reforço do marco regulatório estadual. A sanção da Lei nº 23.928/2025 proibiu a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no estado. A norma se aplica a indústrias, laticínios e empresas do segmento, estabelecendo sanções em caso de descumprimento.

De acordo com a Seapa, a legislação busca organizar o mercado, fortalecer a cadeia produtiva local e garantir a qualidade do leite oferecido aos consumidores. A medida também atende a demandas históricas de produtores, que apontavam concorrência desleal e riscos à transparência do mercado.

No comércio exterior, os dados indicam melhora gradual no equilíbrio da balança de lácteos do estado. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações de produtos lácteos de Goiás somaram 609,1 toneladas, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, totalizaram 804 toneladas, queda expressiva de 57,1%.

Embora o volume importado ainda supere o exportado, a Seapa destaca que o déficit comercial vem diminuindo de forma consistente, sinalizando ajuste positivo e maior competitividade da produção local, especialmente em produtos de maior valor agregado.

Para 2026, as perspectivas são consideradas favoráveis pelo governo estadual. A Seapa projeta continuidade do crescimento na captação e industrialização do leite, redução adicional do déficit comercial e avanço das exportações. O desempenho do setor deve ser sustentado por políticas públicas de apoio, melhorias na eficiência produtiva e maior inserção no mercado externo, mantendo a produção de leite como um dos pilares do agronegócio goiano.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal do Agronegócio

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