Os preços do leite seguem em alta no Brasil, mas a expectativa é de quedas à medida que a produção e a demanda desaceleram, avalia o banco holandês Rabobank.
Em relatório, a instituição destacou que a combinação de custos com ração estáveis e preços elevados ao produtor tem impulsionado a rentabilidade no campo desde o final de 2023.
De acordo com dados divulgados pelo Milkpoint Mercado na última semana, o indicador de receita menos custo da ração tem operado acima de R$ 40 por vaca por dia.
Esse patamar, segundo analistas do Rabobank, tem incentivado o aumento da produção, que deve registrar uma alta de 3,5% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior, que já havia apresentado crescimento de 4,5% em relação a 2023.
Para o segundo trimestre, espera-se uma desaceleração no ritmo de produção, com crescimento de 2,5%.
“O enfraquecimento relativo da demanda doméstica, somado ao recente crescimento da oferta local, deve levar os preços ao produtor a começarem a recuar no final do segundo trimestre de 2025”, afirma o relatório.
Os analistas também indicam que as importações de lácteos no Brasil devem se manter em níveis elevados no segundo trimestre de 2025, embora abaixo dos números do ano passado.
Esse cenário é explicado pelos preços mais altos das commodities lácteas, o aumento da oferta local e o crescimento moderado da demanda, o que deve resultar em um déficit comercial inferior.
O Rabobank chama a atenção para a recuperação moderada da produção na Argentina, que, segundo os especialistas, deverá ser voltada principalmente para o mercado interno, com menor rentabilidade nas exportações.
A volatilidade climática também deve ser monitorada, com especial atenção para a região sul, que tende a ganhar destaque nos meses de inverno, quando há um aumento na produção.