Movimento organizado pela Faemg intitulado “Minas Grita pelo Leite” deverá reunir de duas a três mil pessoas, no próximo dia 18, no Expominas. O objetivo é chamar a atenção para o grave problema econômico e social acarretado pelo excesso de importação do leite
LEITE
"Atividade leiteira está presente nos 853 municípios mineiros. Especialistas alertam que desestímulo à produção pode causar sérios impactos econômicos e sociais Rafael Hess O pavilhão Multiuso d"

O pavilhão Multiuso do Expominas, no Parque da Gameleira, foi o espaço escolhido para um grande evento de protesto pelo excesso de importação do leite no país.

O “Minas Grita pelo Leite”, marcado para a próxima segunda-feira (18), às 10h, reunirá produtores rurais de todas as parte do estado, deputados federais e estaduais, cooperativas e associações, além do presidente da Federação da Agricultura de Minas Gerais, Antônio de Salvo, do secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Thales Fernandes e do próprio governador Romeu Zema (Novo). São esperadas duas mil pessoas.

De Salvo disse, em entrevista à Itatiaia, que o movimento nasceu dentro da Faemg e logo ganhou a adesão da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado, de cooperativas de leite, da Confederação Nacional da Agricultura do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA).

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Antônio de Salvo alerta para o risco de desabastecimento do leite, caso persista a situação atual

Maria Teresa Leal/Itatiaia

“Vamos estar juntos no Expominas, a partir das 10h, para mostrar ao governo federal que ele está eliminando uma classe importantíssima para Minas e o Brasil que são os produtores de leite. Duzentos e vinte mil médios e pequenos produtores estão sendo massacrados pela avalanche de leite em pó que tem entrado no país, vindo da Argentina e do Uruguai.

Essa situação configura uma prática de comércio desleal e um desestímulo gigante para a classe. Então, decidimos ‘gritar de dor’ para que o governo tenha sensibilidade. Se continuarmos nessa configuração, esses produtores irão, pouco a pouco, deixar a atividade e teremos falta de leite nas gôndolas dos supermercados, como eu já venho alertando desde o ano passado. Então, convém olharmos para essa questão com mais cuidado. Estamos há um ano e dois meses pedindo isso para o governo e ainda não tivemos nenhuma resposta prática”, disse o presidente.

Remuneração fica entre R$ 1,80 e R$ 2,30 💰

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Jônadan Ma, presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg

Arquivo Pessoal

 

De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Jônadan Ma, atualmente um produtor de leite, no estado, recebe entre R$ 1,80 e R$ 2,30 pelo litro do produto, dependendo do volume e da qualidade. Essa é uma das remunerações mais baixas dos últimos tempos, segundo ele. “Mal dá para os produtores pagarem os custos de produção. Por isso, temos que gritar. Estamos enfrentando essa situação lastimável há mais de um ano”. Além do excesso de leite importado, Jônadan informou que os produtores reivindicam ‘renegociação de dívidas e inclusão do leite no seu Plano de Aquisição de Alimentos’.

Secretário convocou produtores por meio de sua rede social 

O secretário Thales Fernandes usou sua conta no Instagram para conclamar todos os produtores a participarem:

“Precisamos articular soluções para os problemas enfrentados pelos produtores devido às importações de leite em pó descabidas e que estão sufocando o mercado interno. Minas é o maior produtor de leite do país, respondendo por cerca de 27% da produção nacional. Essa atividade está presente nos 853 municípios do estado, com mais de 250 mil estabelecimentos agropecuários, segundo o IBGE. Por isso, precisamos da participação de todos vocês”, disse.

Qual o volume importado de leite, desde o ano passado? 

Em 2023, a importação de leite em pó foi equivalente a 2,2 bilhões de litros, registrando um crescimento de 68,8%, em comparação com 2022.

Por que a importação afeta os pequenos produtores? 

Porque o leite que vem do exterior tem subsídios de seus governos e chega mais barato para as cooperativas que deixam de comprar o produto nacional.

Quais são os riscos se a situação persistir? 

  • desabastecimento do mercado interno
  • aumento do preço do leite ao consumidor final

Qual a importância econômica do setor? 

A pecuária leiteira está presente em 99% dos municípios mineiros, gerando emprego e renda para milhares de famílias. No país, são produzidos formalmente 24 bilhões de litros de leite por ano, e Minas Gerais é responsável por 27% dessa fatia. No estado, de acordo com a Faemg, existem 216 mil fazendas, entre pequenas e médias e mais de mil indústrias de laticínios.

O que já foi feito até agora? 

Desde 2022, a Faemg e Sindicatos de Produtores Rurais (SPRs) têm atuado, junto à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), associações, cooperativas e deputados, para solucionar o problema das importações de leite em pó de países do Mercosul. Foram realizados dois encontros nacionais de produtores de leite no Congresso Nacional, com a participação da Faemg.

A Federação, por meio da CNA, participou de 8 reuniões com a equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com o ministro Carlos Fávaro e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Encontros também foram realizados com os presidentes do Senado Federal e da Câmara das Deputados. O assunto também foi levado à discussão nas Comissões Técnicas de Pecuária de Leite da Faemg e da CNA.

Quais são as principais reivindicações do setor? 

  • Suspensão com as importações subsidiadas da Argentina ou adoção medidas compensatórias ou salvaguardas imediatas.
  • Plano Nacional de Renegociação de Dívidas de todos os produtores de leite.
  • Inserção permanente do leite nos Programas Sociais do Governo Federal.
  • Ampliação da fiscalização no âmbito do Decreto 11.732/2023.

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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