A proteína tornou-se o principal motor de crescimento do setor lácteo nos Estados Unidos, redefinindo escolhas de consumo e reposicionando categorias tradicionais dentro da dieta moderna.
Em um cenário marcado por novas conversas sobre saúde, praticidade e funcionalidade dos alimentos, os lácteos mantêm um papel central na alimentação dos americanos, ainda que com mudanças claras no mix de produtos consumidos.
Dados recentes do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA) mostram que, em 2024, o consumo per capita de lácteos alcançou 651 libras por pessoa, considerando o equivalente em leite com base em sólidos e gordura. O volume total pouco variou em relação a anos anteriores, mas a composição desse consumo revela uma transformação relevante nos hábitos alimentares.
Segundo as entidades, a preferência crescente por alimentos ricos em proteína e de consumo rápido vem impulsionando categorias que, até pouco tempo atrás, eram vistas como ultrapassadas. Iogurtes e queijo cottage, por exemplo, ganharam novo protagonismo ao se alinharem às rotinas aceleradas e às demandas nutricionais atuais.
O consumo de iogurte chegou a 14,5 libras por pessoa em 2024, um avanço de 6% em relação ao ano anterior e quase 60% acima do nível registrado duas décadas atrás. Para a IDFA, esse desempenho reflete a consolidação do produto como uma opção prática, versátil e associada à ingestão de proteína de alta qualidade.
O queijo cottage apresentou um crescimento ainda mais expressivo. O consumo per capita subiu mais de 14% em um ano, atingindo 2,4 libras por pessoa, o maior patamar desde 2009. A entidade observa que o produto se beneficiou da revalorização nutricional, impulsionada por dietas focadas em proteína e controle de carboidratos.
Outro destaque do ano foi a manteiga. Após um longo período de retração, marcado pela preferência por produtos com baixo teor de gordura, a manteiga voltou a ocupar espaço nas cozinhas americanas. A mudança na percepção sobre as gorduras alimentares, aliada à busca por ingredientes mais simples e menos processados, contribuiu para essa retomada.
Em 2024, o consumo de manteiga alcançou um recorde de 6,8 libras por pessoa, mais de 20% acima do registrado há dez anos. Analistas do setor apontam que muitos consumidores passaram a enxergar a manteiga como um produto mais “real” e funcional, especialmente para cozinhar e assar, em comparação com margarinas e spreads industrializados.
No segmento de queijos, o cenário foi de estabilidade. O consumo per capita permaneceu em 41,9 libras, o mesmo nível de 2023. Ainda assim, a IDFA ressalta que esse volume representa uma mudança estrutural significativa quando comparado à década de 1970, período em que o consumo anual não ultrapassava 20 libras por pessoa. O dado reforça o status do queijo como um alimento consolidado na dieta americana.
Já o leite fluido apresentou sinais de estabilização após décadas de queda. Em 2024, o consumo manteve-se em 127 libras por pessoa, repetindo o resultado do ano anterior. Embora distante do pico de 247 libras registrado em 1975, o desempenho indica que o leite segue presente no cotidiano das famílias, especialmente no café da manhã, no preparo de alimentos e em bebidas quentes.
De acordo com análises do setor, o leite deixou de ser o protagonista da geladeira, mas permanece como um item funcional e confiável, associado a hábitos domésticos tradicionais.
No campo da indulgência, o sorvete trouxe um leve alívio para a categoria. O consumo avançou para 12 libras por pessoa, mostrando que, mesmo em um contexto de maior atenção à saúde, os consumidores não abrem mão de produtos ligados ao prazer e ao conforto emocional. A introdução de versões com alto teor de proteína também contribuiu para esse desempenho, permitindo conciliar sobremesa e valor nutricional.
No conjunto, os dados reforçam que, apesar das transformações no comportamento do consumidor, os lácteos seguem relevantes. A proteína atua como fio condutor dessa nova fase, impulsionando categorias específicas, enquanto produtos tradicionais como manteiga, queijo e leite mantêm sua base de consumo.
Para o setor, o desafio e a oportunidade estão em equilibrar funcionalidade, sabor e conveniência, mostrando que os lácteos podem atender tanto às exigências nutricionais quanto aos momentos de indulgência do consumidor moderno.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd






