Whey protein: qual escolher? O whey protein é um dos suplementos mais consumidos no Brasil, mas muitos ainda se perguntam qual versão faz sentido para seu objetivo: concentrado, isolado ou hidrolisado?
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, as diferenças entre eles não justificam grandes variações de preço na maior parte dos casos, e a escolha deve considerar fatores individuais como tolerância à lactose e presença de alergias.
O whey protein concentrado é o mais indicado para a maioria dos consumidores. Ele contém até 84% de proteínas e de 2% a 5% de lactose.
“Pessoas comuns e sem alergia ao leite de vaca costumam utilizar o concentrado para atender necessidades diárias de proteína”, explica Eduardo Reis, nutricionista e membro do departamento Científico da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE). Esse tipo também apresenta um pouco mais de carboidratos, variando de 3% a 8% por 100 gramas.
Já o whey protein isolado, com até 94% de concentração proteica e cerca de 1% a 2% de lactose, é mais procurado por quem tem sensibilidade ao açúcar natural do leite. “Apesar de as melhores marcas apresentarem baixa lactose no concentrado, algumas pessoas ainda optam pelo isolado por conta da diluição e do menor teor de lactose”, afirma Reis.
O whey hidrolisado, por sua vez, passa por um processo chamado hidrólise parcial, que quebra parte das proteínas, reduzindo em até 99% a chance de alergia à proteína do leite bovino. Esse processo, no entanto, costuma deixar o produto menos saboroso e significativamente mais caro.
“O hidrolisado só faz sentido para quem tem alergia confirmada à proteína do leite”, reforça o professor Bruno Gualano, do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP.
Absorção: mito ou verdade?
Um dos argumentos usados pela indústria é a velocidade de absorção. No entanto, os especialistas afirmam que a diferença entre os tipos é mínima: no máximo 15 minutos. O tempo total de digestão pode chegar a 2h30 para qualquer um deles. Para quem busca ganho de massa muscular, essa diferença é considerada irrelevante.
É ultraprocessado?
Todos os tipos de whey protein passam por processamento industrial. O suplemento é feito a partir do soro do leite, que representa 20% das proteínas do leite bovino — os outros 80% são caseínas usadas na produção de queijo e iogurte.
Após a filtragem e concentração, o soro é desidratado, resultando em um pó rico em aminoácidos essenciais, especialmente leucina, importante para a síntese muscular.
Benefícios comprovados
Além de estimular o ganho ou a preservação de massa muscular, principalmente após os 50 anos, estudos sugerem que o whey protein pode auxiliar no controle glicêmico pós-refeição, na regulação da saciedade e até em estratégias de emagrecimento.
No Brasil, o soro do leite já foi considerado um resíduo da indústria de laticínios, mas ganhou valor com a descoberta de suas propriedades funcionais.
O mais caro é sempre o melhor?
Não necessariamente. Especialistas alertam que o preço pode refletir não apenas a qualidade da matéria-prima, mas também estratégias de marketing, embalagens chamativas e até ingredientes adicionados como colágeno — que não é uma fonte proteica relevante para síntese muscular.
“Produtos com corantes, adoçantes e aromatizantes podem ter até 4% a menos de proteína por porção”, afirma Reis.
Além disso, algumas marcas vendem apenas online, reduzindo custos de distribuição, enquanto outras apostam em rótulos direcionados para diferentes públicos: dos frequentadores de academia aos consumidores que buscam uma suplementação mais discreta.
Como usar com segurança?
O consumo indiscriminado de whey protein pode levar ao ganho de peso se exceder as necessidades calóricas diárias.
A recomendação de ingestão de proteína para pessoas ativas gira entre 1,6 a 1,8 g/kg de peso corporal por dia — quantidade que muitas vezes pode ser atingida apenas com alimentação balanceada. “Nenhum suplemento, por si só, aumenta a massa muscular ou a força se a dieta já estiver adequada”, destaca Gualano.
Conclusão
Para a maioria dos consumidores, o whey protein concentrado oferece a melhor relação custo-benefício.
O isolado deve ser considerado em casos de maior sensibilidade à lactose, e o hidrolisado, apenas sob recomendação médica em situações de alergia.
A escolha consciente passa por avaliar a tabela nutricional e evitar pagar mais apenas por estratégias de marketing.

*Adaptado para eDairyNews, com informações de G1