ESPMEXENGBRAIND
20 jan 2026
ESPMEXENGBRAIND
20 jan 2026
Dados inéditos da Emater-MG revelam força econômica, cultural e territorial dos queijos artesanais produzidos por famílias rurais 🧀
Produção de queijos artesanais cresce e reforça valor agregado ao leite mineiro 🧀
Produção de queijos artesanais cresce e reforça valor agregado ao leite mineiro 🧀

Queijos artesanais produzidos pela agroindústria familiar de Minas Gerais somaram 43 mil toneladas em 2025, segundo dados inéditos divulgados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) às vésperas do Dia Mundial do Queijo, celebrado em 20 de janeiro.

O levantamento confirma o peso econômico, social e cultural do setor no estado que concentra a maior tradição queijeira do país.

As informações foram consolidadas a partir de dados coletados pelos escritórios da Emater-MG em mais de 800 municípios mineiros. O mapeamento permite, pela primeira vez, dimensionar com maior precisão a produção da agroindústria familiar de queijos, evidenciando tanto o volume expressivo quanto a diversidade de produtos elaborados no meio rural.

Ao comentar os resultados, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, destacou o papel estratégico do segmento. Segundo ele, os produtores familiares mantêm vivas práticas históricas de fabricação e, ao mesmo tempo, movimentam a economia estadual com produtos reconhecidos pela qualidade. Para Simões, a atividade posiciona Minas como referência nacional e internacional no setor de queijos.

O levantamento aponta que o estado conta atualmente com cerca de 12,5 mil empreendimentos individuais ligados à agroindústria familiar de queijos. Parte dessa produção utiliza leite pasteurizado, dando origem a produtos como queijo minas frescal, muçarela, minas padrão, parmesão, prato, provolone, requeijão e ricota. Também há espaço para derivados de leite de cabra e de búfala, incluindo boursin e burrata, ampliando o portfólio ofertado ao mercado.

Apesar dessa diversidade, são os queijos artesanais, produzidos a partir de leite cru, que concentram a maior parcela da produção familiar em Minas Gerais. Em 2025, esse segmento alcançou 32,1 mil toneladas, o equivalente a aproximadamente 74,6% de todo o volume produzido pela agroindústria familiar de queijos no estado. O dado reforça a centralidade do modelo artesanal na estratégia de agregação de valor ao leite nas propriedades rurais.

Minas Gerais reúne cerca de 8,8 mil agroindústrias familiares dedicadas especificamente à produção de queijos artesanais. Esses empreendimentos estão distribuídos em diferentes regiões reconhecidas pela identidade própria de produção, construída ao longo de gerações e fortemente associada ao território, ao clima e ao saber-fazer local.

De acordo com a coordenadora técnica da Emater-MG na área de Queijos Artesanais, Rayanne Soalheiro de Souza, o segmento representa um vetor estratégico de diversificação econômica no campo. Segundo ela, a transformação do leite em queijo artesanal permite ampliar a renda das famílias, reduzir a dependência de mercados de commodity e fortalecer o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.

Rayanne destaca ainda que a Emater-MG atua diretamente na capacitação técnica e na organização produtiva desses agricultores. O trabalho envolve ações voltadas à melhoria da qualidade, à adequação sanitária e à inserção dos queijos artesanais em mercados formais, ampliando o alcance comercial sem descaracterizar os métodos tradicionais.

Dentro do universo dos queijos artesanais, o Queijo Minas Artesanal (QMA) ocupa posição central. Em 2025, a produção estimada do QMA chegou a 18,4 mil toneladas, envolvendo aproximadamente 3,5 mil agroindústrias familiares. O produto é fabricado em diversas regiões do estado e se consolidou como símbolo da identidade queijeira mineira.

No final de 2024, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, reforçando a relevância histórica e cultural da atividade. Atualmente, Minas Gerais possui dez regiões oficialmente caracterizadas como produtoras de QMA: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serras da Ibitipoca, Serro e Triângulo Mineiro.

Além dessas áreas, outras seis regiões são reconhecidas pela produção de diferentes tipos de queijos artesanais, como Alagoa, Mantiqueira de Minas, Serra Geral do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha — com o tradicional Queijo Cabacinha —, Vale do Suaçuí e Vale do Mucuri, conhecido pelo Requeijão Moreno. O conjunto desses territórios evidencia a diversidade e a capilaridade da produção artesanal no estado.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agência Minas Gerais

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta