Os lácteos da RAR ganham papel central na estratégia de crescimento da RAR Agro & Indústria, empresa da família Randon sediada em Vacaria, no Rio Grande do Sul.
Embora a fruticultura ainda seja o principal negócio do grupo, a companhia aposta na expansão da divisão dedicada a queijos e outros produtos gastronômicos para dobrar o faturamento e alcançar R$ 1 bilhão em receitas até 2034.
Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 510 milhões e projeta atingir R$ 558 milhões em 2026. Parte relevante desse crescimento deve vir da unidade RAR Gastronomia, responsável pela produção de queijos, manteiga, creme de leite e outros alimentos. Segundo a empresa, a expectativa é que essa divisão se torne a maior fonte de receita do grupo ao longo da próxima década.
A operação de lácteos da companhia tem origem em uma decisão estratégica tomada por Raul Randon no final dos anos 1990. Ao apostar na produção de queijo tipo grana no Brasil, o empresário percebeu que o país não possuía leite com o padrão necessário para esse tipo de produto. Para viabilizar o projeto, trouxe vacas leiteiras dos Estados Unidos para o interior gaúcho, estruturou um laticínio e enviou equipes à Itália para aprender o processo de produção.
Hoje, a empresa mantém a maior fazenda de gado leiteiro do Rio Grande do Sul, com extração aproximada de 52 mil litros de leite por dia. A produção inclui queijos tipo grana e parmesão, além de manteiga e creme de leite.
Em 2024, a unidade de gastronomia produziu 957 toneladas de queijo tipo grana, 545 toneladas de parmesão e cerca de 600 toneladas de creme de leite e manteiga. O faturamento da divisão alcançou R$ 189 milhões no período.
O desempenho foi influenciado pelas oscilações no custo da matéria-prima. No primeiro semestre, a rentabilidade foi pressionada pela alta do preço do leite, que superou R$ 2,80 por litro na média nacional, segundo dados citados pela empresa. Já na segunda metade do ano, a queda nos preços ajudou a melhorar os resultados operacionais.
Para 2026, a RAR estima que a receita da unidade chegue a R$ 205 milhões, crescimento superior a 8% em relação ao ano anterior. De acordo com a empresa, o início do ano apresenta desempenho melhor que o registrado no mesmo período anterior.
A estratégia comercial da divisão de lácteos combina dois canais principais. Mais da metade das vendas ocorre no varejo, com presença em redes de supermercados, enquanto cerca de 45% do volume é direcionado ao food service, atendendo restaurantes e outros estabelecimentos.
A empresa também fornece queijo ralado para marcas próprias de redes varejistas, ampliando sua presença no mercado interno. O principal destino dos produtos é o estado de São Paulo, onde os itens da marca são distribuídos em diferentes redes supermercadistas.
No mercado externo, a companhia realizou uma primeira exportação de 700 kg de queijo tipo grana para Miami, nos Estados Unidos, no final de 2024. O envio foi temporariamente interrompido após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, mas as exportações já foram retomadas após o recuo dessas medidas.
Além dos lácteos, a divisão de gastronomia inclui vinhos, produzidos a partir de uvas cultivadas pela própria empresa e vinificados pela Miolo, em Bento Gonçalves. A operação comercializa atualmente 150 mil garrafas por ano, com planos de ampliar o volume para 220 mil garrafas em 2030 e 300 mil em 2034.
Mesmo com a expansão do portfólio gastronômico, a base econômica da empresa continua sendo a fruticultura. A unidade Rasip Agro responde por cerca de 8% do mercado brasileiro de maçãs e foi responsável por R$ 221 milhões do faturamento total em 2025.
Para a cadeia láctea, a estratégia da RAR indica um movimento relevante: a consolidação de operações integradas que combinam produção de leite, industrialização de queijos de longa maturação e presença simultânea em varejo e food service. A empresa aposta que esse modelo será o principal motor de crescimento nos próximos anos.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de AgFeed






