Produção global de leite deve seguir em expansão em 2026, reforçando um cenário de oferta elevada que tende a manter os preços internacionais dos lácteos sob pressão ao longo do ano.
As projeções do Rabobank indicam que os principais exportadores mundiais União Europeia, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai aumentarão a produção no primeiro trimestre. A maioria deve desacelerar no segundo, mas Estados Unidos e Oceania manteriam o crescimento durante todo o período. No agregado, a produção dessas regiões deve avançar 0,12% em relação ao fechamento de 2025.
O movimento ocorre após um ano já marcado pela expansão. Em 2025, a produção total dos sete maiores exportadores cresceu 2,2% frente a 2024 e atingiu seu pico no terceiro trimestre, acompanhada por aumentos relevantes nos sólidos lácteos.
Com mais produto disponível no mercado e uma demanda considerada frágil, a expectativa é de continuidade na debilidade dos preços globais. Embora valores mais baixos tendam a estimular o consumo, o banco não prevê uma reação rápida.
Esse descompasso entre oferta e demanda pode resultar em margens mais apertadas para os produtores, que devem sentir os efeitos do excedente tanto pelo volume adicional de leite quanto pelo avanço dos sólidos.
Ainda assim, há um vetor de equilíbrio no horizonte. A queda dos preços deve sustentar uma recuperação gradual da demanda, enquanto as cotações das commodities lácteas podem retornar às médias históricas até o final de 2026.
No ciclo recente, os custos de alimentação se mostraram favoráveis, permitindo a manutenção de margens positivas mesmo com a redução dos preços. Esse fator ajudou a amortecer parte da pressão financeira sobre a produção.
Na China, o cenário segue distinto. Os preços pagos ao produtor permanecem baixos e continuam se intensificando, em um contexto de consumo lento. Para 2026, a expectativa é de estabilização da produção, com o crescimento apoiado principalmente por operações de grande escala.
Olhando além do curto prazo, a produção chinesa pode voltar a acelerar em 2027, impulsionada por consolidação do setor, ganhos de eficiência e desenvolvimento do mercado.
Para tomadores de decisão, o quadro sinaliza um período em que crescimento produtivo não necessariamente se traduz em rentabilidade imediata. O ajuste entre oferta e demanda será determinante para a trajetória dos preços e para a sustentabilidade econômica da cadeia láctea global.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de EDairyNews Español






