ESPMEXENGBRAIND
7 jan 2026
ESPMEXENGBRAIND
7 jan 2026
Fusões e aquisições globais aceleram a consolidação do leite e trazem sinais claros para o mercado brasileiro 🇧🇷
De Lactalis a Fonterra, fusões e aquisições definiram os rumos da indústria láctea em 2025 💼
De Lactalis a Fonterra, fusões e aquisições globais influenciam estratégias no leite brasileiro 🌎

As fusões e aquisições que marcaram a indústria láctea global em 2025 não ficaram restritas aos grandes mercados tradicionais.

Ao contrário, os movimentos estratégicos de multinacionais e cooperativas ao longo do ano trazem sinais diretos para países como o Brasil, onde escala, eficiência industrial e posicionamento em categorias de maior valor agregado tornam-se cada vez mais decisivos.

Um dos negócios mais simbólicos foi a reconfiguração do mercado de iogurtes na América do Norte. A General Mills decidiu se desfazer de sua operação de iogurtes, incluindo marcas como Yoplait e :ratio, em uma transação avaliada em US$ 2,1 bilhões. A decisão reforçou uma tendência clara entre grandes empresas de bens de consumo: abandonar categorias consideradas periféricas para concentrar capital em segmentos estratégicos.

Para o Brasil, esse movimento é particularmente relevante porque evidencia o reposicionamento global da Lactalis, que assumiu os ativos da General Mills nos Estados Unidos. Com presença industrial robusta no mercado brasileiro, o grupo francês reforça sua estratégia de escala internacional, integração entre mercados e foco em inovação nutricional — elementos que tendem a influenciar decisões de portfólio também na América Latina.

A cooperativa francesa Sodiaal, por sua vez, ficou com o negócio canadense, incorporando Yoplait e Liberté. O avanço das cooperativas europeias em mercados maduros reforça um modelo que desperta atenção no Brasil, especialmente em um contexto de pressão por rentabilidade ao produtor e necessidade de maior coordenação da cadeia.

Ainda no mercado norte-americano, a aprovação regulatória da aquisição pela Lactalis USA, em junho de 2025, consolidou um dos maiores movimentos do ano. O controle de marcas como :ratio e Mountain High, além do licenciamento de Yoplait e Go-Gurt, ampliou a capacidade da empresa de atuar em nichos de alto valor, como produtos voltados a consumidores que utilizam medicamentos à base de GLP-1. Para o mercado brasileiro, esse avanço sinaliza a importância crescente de produtos funcionais e de posicionamento nutricional claro.

No segmento de sorvetes, a cisão da divisão de ice cream da Unilever também trouxe lições relevantes. A criação da The Magnum Ice Cream Company, avaliada em € 8 bilhões após sua abertura de capital, reforça a ideia de que categorias específicas ganham mais competitividade quando operam de forma independente. No Brasil, onde o mercado de sorvetes é altamente fragmentado e competitivo, o movimento pode inspirar ajustes estratégicos entre grandes players e marcas regionais.

A Europa, por sua vez, viveu um ciclo intenso de fusões e aquisições entre cooperativas. A união entre FrieslandCampina e Milcobel, já aprovada pelos reguladores, e o avanço do acordo entre Arla Foods e DMK refletem a resposta do continente à estagnação da produção de leite. Esse cenário serve de alerta ao Brasil, onde o crescimento da produção não elimina desafios estruturais relacionados a custos, eficiência e concentração industrial.

O acordo de maior impacto do ano, no entanto, envolve a Fonterra e a Lactalis. A venda dos negócios de consumo da cooperativa neozelandesa na Austrália e Oceania, avaliada em NZ$ 4,22 bilhões, reforça o foco da Fonterra em ingredientes e foodservice — segmentos nos quais o Brasil também busca avançar como fornecedor global. A parceria de longo prazo entre Fonterra e Lactalis, baseada em contratos de fornecimento, evidencia a crescente integração entre produção primária e mercados industriais.

Para analistas do setor, o conjunto dessas operações deixa uma mensagem clara para o Brasil: a competição no mercado lácteo será cada vez mais definida por escala, foco estratégico e capacidade de atender nichos específicos. Em 2025, as fusões e aquisições não apenas redesenharam o mapa global do leite, mas também reforçaram tendências que já batem à porta do mercado brasileiro.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

Te puede interesar

Notas Relacionadas