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26 jan 2026
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Foodwatch acusa falhas regulatórias e comunicação tardia em crise global da fórmula infantil ⚖️
Recalls de fórmula infantil se ampliam enquanto surgem relatos de doenças e investigações em curso 🍼
Recalls de fórmula infantil se ampliam enquanto surgem relatos de doenças e investigações em curso 🍼

A crise envolvendo fórmula infantil produzida por grandes multinacionais do setor lácteo entrou em uma nova fase, com a preparação de uma ação judicial contra Nestlé e Lactalis.

A iniciativa é liderada pela organização de defesa do consumidor Foodwatch International, que questiona tanto a atuação das empresas quanto a resposta das autoridades diante de uma contaminação potencialmente grave em produtos destinados a bebês.

Segundo a Foodwatch, o caso tem origem na detecção de cereulida — uma toxina conhecida por provocar náuseas e vômitos — em um ingrediente utilizado na produção de fórmula infantil. A substância foi identificada em um óleo de ARA (ácido araquidônico), insumo amplamente empregado nesse tipo de produto. O ingrediente era fornecido a diferentes fabricantes por um produtor terceirizado, o que ampliou o alcance do problema.

A Nestlé informou que a contaminação foi descoberta durante testes de rotina realizados em ingredientes. A partir daí, a companhia iniciou recalls de lotes de fórmula infantil em quase 60 países. A resposta, no entanto, passou a ser alvo de críticas por parte de organizações de consumidores, que afirmam que os alertas chegaram tarde demais, permitindo que produtos potencialmente afetados permanecessem no mercado por meses.

O caso rapidamente extrapolou a Nestlé. Danone e Lactalis também passaram a enfrentar pressão de autoridades sanitárias e da opinião pública, à medida que se confirmou que o mesmo tipo de ingrediente estava presente em produtos de diferentes marcas. Reguladores de diversos países intensificaram ações para evitar que fórmulas potencialmente contaminadas continuassem à venda.

Na semana passada, a Danone bloqueou preventivamente a liberação de um lote de fórmula infantil em Singapura enquanto uma investigação de segurança alimentar era conduzida. Já a Lactalis anunciou o recall da fórmula Picot em 18 países, após identificar a presença de um ingrediente contaminado em sua cadeia de suprimentos.

A Foodwatch sustenta que o número de empresas afetadas continua crescendo, à medida que novas informações surgem. Embora até o momento não haja confirmação oficial de que casos específicos de doenças ou mortes estejam diretamente ligados aos produtos recolhidos, relatos vêm emergindo em diferentes mercados. Na França, autoridades abriram investigações sobre duas mortes de bebês que teriam consumido fórmulas produzidas, respectivamente, pela Nestlé e pela Lactalis.

Para a ONG, o ponto central da controvérsia é o tempo de resposta. A organização afirma que, do ponto de vista do consumidor, é particularmente preocupante que os recalls tenham ocorrido muito depois de os produtos terem sido colocados à venda. No caso da Nestlé, a Foodwatch sustenta que alguns lotes circularam por meses. No caso da Lactalis, o período poderia chegar a pelo menos um ano.

Ingrid Kragl, representante da Foodwatch International, afirma que novas informações chegam diariamente e que o escopo da crise segue se ampliando. Segundo ela, mais de 60 países já foram afetados pelos recalls ligados à Nestlé, enquanto ao menos 18 mercados registraram ações semelhantes envolvendo a Lactalis. Outros países, como Itália e Suíça, também teriam identificado produtos de diferentes marcas sob suspeita.

A ONG argumenta ainda que o atraso na comunicação pode ter dificultado diagnósticos médicos adequados. Com embalagens descartadas e sem alertas claros no momento oportuno, não haveria garantia de que profissionais de saúde tenham considerado a presença de cereulida ao atender bebês com sintomas compatíveis.

Diante desse cenário, a Foodwatch decidiu avançar para o campo jurídico. A entidade afirma ter identificado diversas violações de normas europeias e nacionais, tanto por parte das empresas quanto das autoridades responsáveis pela fiscalização. De acordo com Kragl, um volume significativo de evidências já foi reunido, e a queixa formal está em fase final de elaboração.

A ação judicial deve questionar diretamente a conduta de fabricantes como Nestlé e Lactalis, além de examinar o papel das autoridades públicas na gestão do caso. Para a Foodwatch, há uma discrepância entre as declarações oficiais das empresas e os fatos apurados pela organização ao longo da investigação.

O histórico recente pesa contra os envolvidos. A Foodwatch já apresentou queixas anteriores contra a Nestlé, incluindo casos relacionados a pizzas contaminadas da marca Buitoni e ao uso de processos considerados irregulares em água engarrafada. A Lactalis, por sua vez, enfrentou um grande escândalo em 2018 envolvendo fórmula infantil contaminada por salmonela, episódio pelo qual a empresa acabou sendo formalmente indiciada.

O novo caso reacende o debate sobre a robustez dos sistemas de controle de qualidade e a governança das cadeias globais de ingredientes críticos para a fórmula infantil, um segmento em que falhas têm consequências particularmente sensíveis.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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