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10 abr 2026
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Encontro do setor aponta queda de preços, importações e custos como eixos de pressão 🐄
setor
Diagnóstico apresentado em reunião revela margens negativas na atividade 📉

A reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, realizada no Ministério da Agricultura e Pecuária com participação da CNA, consolidou um diagnóstico direto para o setor:

A cadeia do leite no Brasil opera sob compressão de margens, pressionada pela queda nos preços ao produtor e pela manutenção de custos elevados.

Durante o encontro, representantes da cadeia acompanharam a apresentação de análises sobre o desempenho recente do mercado e os fatores que vêm impactando a rentabilidade. O principal sinal identificado é o descompasso entre preços em queda e uma estrutura de custos ainda pressionada, o que tem levado a atividade a operar com margens negativas nos últimos meses.

Os dados apresentados indicam que, ao longo de 2025, os preços pagos ao produtor acumularam queda de 25%, com os valores registrados em dezembro atingindo o menor nível desde fevereiro de 2018. Esse movimento ocorre em um ambiente de maior oferta, influenciado pelo aumento das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul, o que amplia a concorrência no mercado interno.

Na leitura discutida durante a reunião, as importações aparecem como um fator relevante dentro de um conjunto mais amplo. O cenário econômico doméstico também foi apontado como elemento que influencia a dinâmica do setor, indicando que a formação de preços responde a múltiplos vetores atuando de forma simultânea.

Além da pressão direta sobre a receita, o encontro também colocou no radar pontos que impactam o ambiente operacional da cadeia. A atualização dos regulamentos técnicos de identidade e qualidade de produtos como requeijão e doce de leite, bem como a discussão de normas específicas para o soro de leite, sinaliza mudanças que exigem adaptação por parte da indústria e podem influenciar custos e processos.

No campo trabalhista, a possibilidade de alterações como o fim da escala 6×1 foi destacada como fator de atenção. Representantes do setor apontaram que mudanças nesse sentido podem agravar a escassez de mão de obra no campo, com impacto potencial sobre os custos de produção.

A logística também entrou em debate, com a retomada da discussão sobre o tabelamento do frete e a apresentação de análises jurídicas sobre sua constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. O tema recoloca em pauta um elemento com potencial de impacto direto nos custos de escoamento.

Apesar do quadro de pressão, a análise apresentada indicou a possibilidade de ajuste ao longo do ciclo produtivo. A sazonalidade tende a reduzir a oferta em determinados períodos, o que pode favorecer a recomposição das cotações, ainda que esse movimento dependa da evolução conjunta dos fatores em curso.

O encontro reforçou a leitura de uma cadeia que opera em equilíbrio mais restrito, onde preço, custo e oferta exigem gestão mais precisa. Ao mesmo tempo, evidenciou que a articulação entre setor produtivo e governo segue no centro das discussões, com uma agenda em construção para enfrentar os desafios atuais.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Feed & Food

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