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30 mar 2025
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Com tecnologia e confinamento, a produção de leite no Brasil ganha força e pode superar a soja em rentabilidade.
Brasil
Alguns produtores de leite já conseguem superar a rentabilidade da soja.

O Brasil, que passou de importador líquido de alimentos a um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, agora mira avanços significativos na pecuária leiteira.

O setor, historicamente visto como o “patinho feio” do agronegócio, começa a mostrar sinais de transformação impulsionados pela adoção de tecnologia e novos modelos de produção.

A produtividade, que sempre foi um gargalo, está evoluindo com a competição crescente pela terra, incentivando pecuaristas a investirem em eficiência para se manterem rentáveis.

Marcelo Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures, destaca que, em regiões propícias à agricultura, os pecuaristas têm duas opções: abandonar a atividade ou aumentar a produtividade. Alguns produtores de leite já conseguem superar a rentabilidade da soja.

O impacto da tecnologia na produtividade leiteira

A revolução silenciosa da leiteria brasileira teve início com um seleto grupo de produtores que adotaram tecnologia de ponta, de forma semelhante ao que ocorreu na cultura de grãos nos anos 1970.

A pesquisa realizada pela MilkPoint com laticínios que representam 34% da captação de leite fiscalizado no Brasil revelou que, em 2023, 42% do leite adquirido veio de sistemas de confinamento.

Em 2019, esse percentual era de apenas 16%, evidenciando uma migração significativa para sistemas de produção intensiva que exigem mais tecnologia, melhoramento genético e ração à base de milho.

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Retornos atrativos para produtores visionários

Um exemplo desse movimento é a Fazenda Cobiça, localizada em Três Corações (MG) e administrada por Marcílio Branquinho. O produtor adotou o confinamento em 2010, mudando completamente a produtividade do seu rebanho.

Nos anos 1990, seu sistema pastoril contava com 50 vacas produzindo 10 litros diários por animal. Hoje, com um rebanho de 2.000 vacas holandesas em confinamento, sua produção atinge 40 litros por vaca ao dia. A fazenda já tem autorização para expandir para 3.500 vacas.

A rentabilidade explica essa expansão. Branquinho afirma que, nos últimos 10 anos, só houve um ano em que o retorno sobre o capital investido ficou abaixo de 20%.

O modelo de negócio da Fazenda Cobiça permite maior previsibilidade financeira, com produção própria de milho e contratos de longo prazo com laticínios como Piracanjuba e Lactalis.

De acordo com Marcelo Galan, da MilkPoint, existem produtores brasileiros que alcançam retornos anuais entre 20% e 30% sobre o capital investido. Embora a maior parte desses casos de sucesso ainda esteja restrita a grandes produtores, os exemplos demonstram que o Brasil tem potencial para se tornar uma potência no setor leiteiro.

O Brasil na rota das grandes potências leiteiras

Atualmente, o rebanho leiteiro brasileiro conta com 9,3 milhões de vacas e produz 99,4 bilhões de litros de leite por ano. Em comparação, os Estados Unidos, referência global em confinamento leiteiro, possuem produtividade média de 35 litros por vaca ao dia.

Alguns produtores brasileiros já superam esse nível, mas o grande desafio é disseminar essa eficiência para um número maior de fazendas.

Os dados do último censo agropecuário do IBGE, de 2017, mostram que a média de produção por produtor no Brasil é de apenas 53 litros por dia.

No entanto, pesquisas mais recentes da MilkPoint indicam que esse número está em crescimento. Atualmente, 1% dos produtores que fornecem leite para laticínios captam mais de 5.000 litros diários e representam 26% da captação dessas indústrias.

Diante desse cenário, eventos como o MilkPro Summit, que acontecerá nos dias 15 e 16 de maio em Atibaia (SP), se tornam cruciais para discutir o futuro da leiteria brasileira. O evento reunirá os maiores produtores de leite do país, grandes indústrias e especialistas para debater as oportunidades e desafios do setor.

Traduzido e adaptado para eDairyNews 🇧🇷

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