A Rocca chegou a uma fase pouco parecida com aquela em que começou. O negócio que nasceu com R$ 20 mil, uma pequena panela de aço inox e produção de cerca de 40 potes de doce de leite por dia hoje processa aproximadamente 6 mil litros de leite diariamente e prepara o próximo movimento: ampliar a distribuição e avançar para o mercado internacional.
A transformação ganhou velocidade a partir de 2020.
Desde então, a empresa sediada em Minas Gerais passou a investir entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por ano em ampliação e modernização. O passo mais importante ocorreu em 2024, quando a estrutura industrial foi expandida.
A mudança resolveu um problema, mas criou outro.
Antes, a Rocca tinha capacidade insuficiente para acompanhar a demanda. Agora, segundo Raphael Figueiredo, um dos fundadores da empresa, o desafio passou a ser ampliar a distribuição, conquistar novos pontos de venda e fortalecer a marca.
A dimensão dessa mudança aparece em um número: atualmente, a empresa utiliza apenas cerca de 30% da capacidade total da fábrica ampliada.
Ou seja, a estrutura para produzir mais já existe. O próximo estágio depende de colocar mais produto no mercado.
De Pouso Alegre para outros estados
Rocca foi criada por Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo, aproveitando uma pequena atividade familiar que já produzia geleias.
Nos primeiros anos, a venda do doce de leite foi construída praticamente cliente por cliente em Pouso Alegre, onde ficam a fazenda da família e a unidade industrial.
A empresa começou oferecendo os produtos diretamente a amigos e consumidores, avançou para lojas da cidade e, depois, passou a participar de iniciativas e eventos que ajudaram a aumentar sua exposição.
Nesse percurso estiveram o Sebrae, o programa Origem Minas, a Feira Internacional do Café e eventos gastronômicos como o Festival Gastronômico de Tiradentes.
O passo que permitiu ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais ocorreu no fim de 2019, quando a Rocca obteve a certificação do Sisbi.
A partir daí, a empresa pôde vender para outros estados. Seu primeiro cliente de maior porte fora de Minas foi a rede de supermercados Zona Sul, do Rio de Janeiro.
Para Rosi, essa expansão gradual teve uma função importante: testar o produto, conhecer melhor o consumidor e consolidar a operação antes de avançar nacionalmente.
Hoje, a linha destinada ao food service já chega a todos os estados brasileiros.
Mais escala exigiu mais leite
O crescimento também alterou a relação entre a fábrica e a produção de leite da própria família.
Rosi faz parte da quarta geração ligada à atividade leiteira e conta que seu pai produz leite há mais de 70 anos na propriedade onde a fabricação do doce começou.
Atualmente, essa fazenda produz aproximadamente 1.400 litros de leite por dia.
A indústria, porém, consome cerca de 6.000 litros diariamente, de segunda a sexta-feira.
Para completar a necessidade de matéria-prima, a Rocca passou a comprar leite de produtores e cooperativas locais. Na chegada à fábrica, os lotes são analisados para verificar se atendem aos padrões estabelecidos pela empresa, inclusive quanto ao teor de sólidos.
O aumento de escala, portanto, fez com que o negócio ultrapassasse a capacidade de fornecimento da própria fazenda e ampliasse sua relação com fornecedores da região.
A estratégia foi fugir da disputa apenas por preço
Desde o início, Rosi e Raphael escolheram não concentrar a estratégia em uma competição direta de preço com os grandes fabricantes.
A empresa manteve uma formulação descrita pelos fundadores como mais simples, baseada em leite e açúcar, e passou a trabalhar também a identidade e a origem do produto como parte da construção da marca.
As redes sociais entraram nessa estratégia mostrando a história da família, a produção de leite e a ligação do produto com a fazenda.
Ao mesmo tempo, o portfólio foi se ampliando.
Além do doce de leite tradicional, a Rocca produz versões com café, coco, avelã e pistache. Mais recentemente, desenvolveu também uma opção com cacau.
As embalagens variam entre 50 gramas, 400 gramas e 4,6 quilos, sendo esta última voltada ao food service.
A próxima fronteira é a exportação
Com a capacidade industrial ampliada, a prioridade agora se deslocou para a área comercial.
Desde o ano passado, a Rocca vem reorganizando sua estrutura de vendas e investindo em ferramentas de gestão e atendimento ao cliente. Paralelamente, iniciou a preparação para obter a certificação necessária para vender ao exterior.
Segundo os sócios, o projeto de adequação da fábrica para obtenção do SIF — Serviço de Inspeção Federal já foi aprovado.
As intervenções necessárias devem começar com o objetivo de conseguir a certificação no próximo ano.
“Estamos avançando com passo firme e em breve começaremos a exportar”, afirma Rosi.
A ambição internacional surge justamente quando a empresa ainda dispõe de amplo espaço para crescer dentro da própria estrutura: com cerca de 70% da capacidade industrial ainda disponível, produzir deixou de ser o principal obstáculo.
Para a Rocca, a etapa que começa agora é outra: transformar capacidade instalada em distribuição, novos mercados e, se o projeto avançar como planejado, nas primeiras vendas fora do Brasil.
*Producido por eDairyNews, con información publicada por CNN Brasil






