ESP – MEX – ENG– BRA – IND
30 set 2026
ESP – MEX – ENG– BRA – IND
30 set 2026
Depois de ampliar a indústria, a Rocca mudou de desafio: agora precisa ocupar capacidade, ganhar distribuição e abrir caminho fora do país.
Rocca cresce no doce de leite e prepara entrada no mercado externo

A Rocca chegou a uma fase pouco parecida com aquela em que começou. O negócio que nasceu com R$ 20 mil, uma pequena panela de aço inox e produção de cerca de 40 potes de doce de leite por dia hoje processa aproximadamente 6 mil litros de leite diariamente e prepara o próximo movimento: ampliar a distribuição e avançar para o mercado internacional.

A transformação ganhou velocidade a partir de 2020.

Desde então, a empresa sediada em Minas Gerais passou a investir entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por ano em ampliação e modernização. O passo mais importante ocorreu em 2024, quando a estrutura industrial foi expandida.

A mudança resolveu um problema, mas criou outro.

Antes, a Rocca tinha capacidade insuficiente para acompanhar a demanda. Agora, segundo Raphael Figueiredo, um dos fundadores da empresa, o desafio passou a ser ampliar a distribuição, conquistar novos pontos de venda e fortalecer a marca.

A dimensão dessa mudança aparece em um número: atualmente, a empresa utiliza apenas cerca de 30% da capacidade total da fábrica ampliada.

Ou seja, a estrutura para produzir mais já existe. O próximo estágio depende de colocar mais produto no mercado.

De Pouso Alegre para outros estados

Rocca foi criada por Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo, aproveitando uma pequena atividade familiar que já produzia geleias.

Nos primeiros anos, a venda do doce de leite foi construída praticamente cliente por cliente em Pouso Alegre, onde ficam a fazenda da família e a unidade industrial.

A empresa começou oferecendo os produtos diretamente a amigos e consumidores, avançou para lojas da cidade e, depois, passou a participar de iniciativas e eventos que ajudaram a aumentar sua exposição.

Nesse percurso estiveram o Sebrae, o programa Origem Minas, a Feira Internacional do Café e eventos gastronômicos como o Festival Gastronômico de Tiradentes.

O passo que permitiu ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais ocorreu no fim de 2019, quando a Rocca obteve a certificação do Sisbi.

A partir daí, a empresa pôde vender para outros estados. Seu primeiro cliente de maior porte fora de Minas foi a rede de supermercados Zona Sul, do Rio de Janeiro.

Para Rosi, essa expansão gradual teve uma função importante: testar o produto, conhecer melhor o consumidor e consolidar a operação antes de avançar nacionalmente.

Hoje, a linha destinada ao food service já chega a todos os estados brasileiros.

Mais escala exigiu mais leite

O crescimento também alterou a relação entre a fábrica e a produção de leite da própria família.

Rosi faz parte da quarta geração ligada à atividade leiteira e conta que seu pai produz leite há mais de 70 anos na propriedade onde a fabricação do doce começou.

Atualmente, essa fazenda produz aproximadamente 1.400 litros de leite por dia.

A indústria, porém, consome cerca de 6.000 litros diariamente, de segunda a sexta-feira.

Para completar a necessidade de matéria-prima, a Rocca passou a comprar leite de produtores e cooperativas locais. Na chegada à fábrica, os lotes são analisados para verificar se atendem aos padrões estabelecidos pela empresa, inclusive quanto ao teor de sólidos.

O aumento de escala, portanto, fez com que o negócio ultrapassasse a capacidade de fornecimento da própria fazenda e ampliasse sua relação com fornecedores da região.

A estratégia foi fugir da disputa apenas por preço

Desde o início, Rosi e Raphael escolheram não concentrar a estratégia em uma competição direta de preço com os grandes fabricantes.

A empresa manteve uma formulação descrita pelos fundadores como mais simples, baseada em leite e açúcar, e passou a trabalhar também a identidade e a origem do produto como parte da construção da marca.

As redes sociais entraram nessa estratégia mostrando a história da família, a produção de leite e a ligação do produto com a fazenda.

Ao mesmo tempo, o portfólio foi se ampliando.

Além do doce de leite tradicional, a Rocca produz versões com café, coco, avelã e pistache. Mais recentemente, desenvolveu também uma opção com cacau.

As embalagens variam entre 50 gramas, 400 gramas e 4,6 quilos, sendo esta última voltada ao food service.

A próxima fronteira é a exportação

Com a capacidade industrial ampliada, a prioridade agora se deslocou para a área comercial.

Desde o ano passado, a Rocca vem reorganizando sua estrutura de vendas e investindo em ferramentas de gestão e atendimento ao cliente. Paralelamente, iniciou a preparação para obter a certificação necessária para vender ao exterior.

Segundo os sócios, o projeto de adequação da fábrica para obtenção do SIF — Serviço de Inspeção Federal já foi aprovado.

As intervenções necessárias devem começar com o objetivo de conseguir a certificação no próximo ano.

“Estamos avançando com passo firme e em breve começaremos a exportar”, afirma Rosi.

A ambição internacional surge justamente quando a empresa ainda dispõe de amplo espaço para crescer dentro da própria estrutura: com cerca de 70% da capacidade industrial ainda disponível, produzir deixou de ser o principal obstáculo.

Para a Rocca, a etapa que começa agora é outra: transformar capacidade instalada em distribuição, novos mercados e, se o projeto avançar como planejado, nas primeiras vendas fora do Brasil.

*Producido por eDairyNews, con información publicada por CNN Brasil

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta