A Rota do Leite tem se consolidado como uma das principais iniciativas federais voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite e de seus derivados no Brasil, com foco direto no desenvolvimento regional e na inclusão produtiva.
No Dia Internacional do Queijo, celebrado nesta terça-feira (20), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) destacou o papel estratégico do programa para pequenos produtores rurais distribuídos em diferentes regiões do país.
Coordenada pela Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), a Rota do Leite atua atualmente em 122 municípios, organizados em polos produtivos localizados no Centro-Oeste, Sul e Nordeste. Entre as áreas atendidas estão o Sertão Central e o Vale do Jaguaribe, no Ceará, território reconhecido nacionalmente pela tradição na produção de queijo coalho, um dos produtos mais emblemáticos da cultura alimentar nordestina.
O programa tem como eixo central a estruturação produtiva, combinada ao fortalecimento da governança local e à ampliação do acesso a mercados. Na prática, isso se traduz em ações integradas que incluem capacitação técnica, implantação de unidades agroindustriais, melhoria do manejo produtivo e desenvolvimento de tecnologias adaptadas às realidades regionais. O objetivo, segundo o MIDR, é criar condições para que produtores de menor escala possam ganhar eficiência e valor agregado sem romper com suas identidades produtivas.
Os investimentos associados à Rota do Leite superam R$ 19 milhões, viabilizados por meio de parcerias com instituições como a Embrapa, institutos federais, universidades e governos estaduais. A articulação institucional é apresentada como um dos pilares do programa, permitindo que conhecimento técnico, pesquisa aplicada e políticas públicas converjam para resultados concretos no território.
Na ponta produtiva, os efeitos do programa são percebidos no cotidiano de quem vive da atividade. A produtora cearense Daniela Melo, que atua há mais de dez anos na produção artesanal de queijo coalho e integra a Rota do Leite no estado, relata mudanças relevantes após a adesão à iniciativa. Segundo ela, o acesso à orientação técnica e a melhorias no manejo abriu novas perspectivas para o negócio. “A Rota do Leite abriu portas para quem vive da produção artesanal. Hoje temos mais orientação técnica, melhoria no manejo e condições de pensar em novos mercados, sem perder a identidade do nosso queijo coalho, que é tradição do Ceará”, afirma.
Do ponto de vista institucional, o MIDR reforça que a cadeia do leite ocupa posição estratégica no desenvolvimento regional brasileiro. De acordo com o secretário nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial, Daniel Fortunato, trata-se de um setor com forte capacidade de geração de renda e emprego, especialmente em áreas rurais. “O leite e seus derivados, como o queijo, têm papel estratégico no desenvolvimento regional porque geram renda, emprego e fixam o produtor no território. A Rota do Leite é uma política estruturante que integra inovação, sustentabilidade e inclusão produtiva”, declara.
O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de leite, com uma produção anual superior a 34 bilhões de litros, sendo uma parcela significativa originada da agricultura familiar. Dentro desse contexto, produtos regionais como o queijo coalho representam não apenas valor econômico, mas também patrimônio cultural, com potencial de inserção em mercados mais amplos a partir da qualificação produtiva e do fortalecimento institucional.
Ao associar tradição e inovação, a Rota do Leite busca reduzir desigualdades regionais e estimular economias locais de forma sustentável. A estratégia parte do reconhecimento das vocações produtivas já existentes nos territórios, evitando modelos padronizados e priorizando soluções ajustadas às condições climáticas, sociais e econômicas de cada região.
Na data simbólica dedicada ao queijo, o MIDR reafirma, por meio da Rota do Leite, seu compromisso com políticas públicas voltadas a cadeias produtivas estratégicas. A iniciativa reforça a conexão entre produção local, valorização de saberes tradicionais e desenvolvimento territorial, posicionando o leite e seus derivados como vetores de crescimento regional de longo prazo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal de Brasília






