O setor leiteiro vem se consolidando como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico de Mariópolis, município paranaense que aposta na integração entre logística, agroindústrias e inovação para fortalecer sua base produtiva.
Em um cenário onde convivem tecnologia de ponta e produção familiar, a cadeia láctea local ganha escala, identidade e novas oportunidades de mercado.
Localizada em um entroncamento rodoviário estratégico no Sudoeste do Paraná, Mariópolis vem atraindo investimentos privados impulsionados por melhorias na infraestrutura viária e por políticas públicas de incentivo às agroindústrias. A construção da perimetral, somada à modernização da PR-280, ampliou a fluidez do transporte de insumos e produtos acabados, fator decisivo para empresas ligadas ao agronegócio e, especialmente, ao setor leiteiro.
Segundo o prefeito Mário Paulek, a posição geográfica do município é um diferencial competitivo relevante. “Estamos em um corredor rodoviário estratégico, ainda mais com a PR-280 refeita em concreto, o que facilita a logística e motiva novos investimentos”, afirma o gestor, ao destacar que a mobilidade impacta diretamente a atratividade industrial.
Embora diversas cadeias produtivas estejam em expansão, como a de grãos e a de armazenagem com novos silos e secadores, o setor leiteiro se destaca pela capacidade de agregar valor e gerar renda de forma distribuída. Queijarias artesanais, fábricas de ração e cooperativas agropecuárias formam um ecossistema que sustenta a produção de leite e derivados, conectando o campo à indústria.
Entre os exemplos mais emblemáticos está a queijaria da família Francescatto, que mantém viva uma tradição iniciada há cerca de 30 anos. O negócio começou de forma artesanal, quando Dona Rosalina e Itacir produziam queijos para venda local, em uma Mariópolis ainda pequena e com mercado restrito. Hoje, a atividade ganha novo fôlego sob a gestão da filha Gracielli e de seu esposo Wilson.
A nova geração aposta em queijos com sabores diferenciados, incorporando temperos e especiarias que conferem identidade própria aos produtos. A estratégia combina tradição com inovação, mirando um consumidor mais exigente e disposto a valorizar alimentos de origem conhecida. De acordo com a família, o objetivo é avançar na certificação sanitária e estrutural, etapa considerada fundamental para a instalação de uma fábrica artesanal familiar e a ampliação da atuação no mercado regional.
O fortalecimento do setor leiteiro também passa pela nutrição animal, elo essencial para produtividade e qualidade da matéria-prima. Nesse ponto, a Camisc, cooperativa agropecuária fundada há mais de seis décadas em Mariópolis, assume papel central. A entidade investiu em uma moderna fábrica de ração, equipada com alto grau de automação e tecnologia industrial.
A unidade já está em operação, produzindo insumos como milho moído, farelo de soja e trigo, matérias-primas fundamentais para a alimentação de bovinos leiteiros. Com capacidade projetada de até cinco mil toneladas de ração por mês, a fábrica amplia a autonomia dos produtores locais e contribui para a padronização nutricional dos rebanhos.
De acordo com representantes do setor, a qualidade da ração impacta diretamente os índices zootécnicos, refletindo em maior produção de leite, melhor conversão alimentar e saúde animal. Esse ganho de eficiência fortalece toda a cadeia láctea, desde o produtor até a indústria de processamento.
Além disso, a instalação de empresas como a Comercial Agrícola Meotti, voltada à comercialização de grãos, e a Anhambi, do segmento de rações, reforça o ambiente favorável aos negócios. Ambas foram atraídas pelo Parque Industrial e pela logística diferenciada do município, criando sinergias com o setor leiteiro e outras atividades agroindustriais.
Com esse conjunto de iniciativas, Mariópolis consolida uma cadeia produtiva diversificada, na qual modernidade industrial e tradição artesanal caminham juntas. O setor leiteiro, ao integrar produção, nutrição animal, processamento e logística, se afirma como eixo estruturante da economia local e como referência regional em desenvolvimento agroindustrial sustentável.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal de Beltrão






