ESPMEXENGBRAIND
10 fev 2026
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📉 Com importações de leite em alta e margens comprimidas, liderança da Girolando alerta para riscos estruturais ao setor brasileiro.
'Não basta ser eficiente', diz presidente da Girolando sobre crise no setor leiteiro.
'Não basta ser eficiente', diz presidente da Girolando sobre crise no setor leiteiro.

Importações de leite estão no centro da crise que atinge a pecuária leiteira brasileira e já alteram a equação econômica das propriedades, segundo Alexandre Lopes Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando para o triênio 2026-2028.

Ao assumir o cargo em janeiro, o dirigente passou a defender medidas capazes de restabelecer a competitividade em um ambiente onde, nas suas palavras, eficiência isolada deixou de garantir rentabilidade.

Dados do Cepea mostram que o preço pago ao produtor acumulou nove meses consecutivos de queda em 2025, resultando em retração anual de 25,8%. Ainda assim, a desvalorização não é apontada como fator único. O mercado também foi impactado pela entrada recorde de produto estrangeiro desde meados de 2022, principalmente de Uruguai e Argentina, ao mesmo tempo em que a captação nacional avançou 15,4% no acumulado do último ano.

Para Lacerda, a combinação entre oferta crescente e importações de leite no mesmo patamar da queda de preços inviabiliza o lucro dentro das fazendas. Ele afirma que o setor aguarda ações do governo federal, mas não identifica sinais de intervenção. Uma elevação de apenas R$ 0,20 no preço do leite, calcula, poderia injetar mais de R$ 80 milhões por dia na economia.

O dirigente também destaca um desalinhamento relevante na cadeia de valor. Enquanto o leite aparece nas gôndolas próximo de R$ 4, o produtor recebe cerca de R$ 1,50. Ao mesmo tempo, autoridades evitam discutir reajustes sob o argumento de que o produto integra a cesta básica, o que limita mudanças no curto prazo.

Relatos de produtores indicam que a pressão não se restringe a Minas Gerais, principal estado produtor. Conversas recentes com pecuaristas do Sul reforçaram a percepção de um ambiente operacional cada vez mais complexo.

Outro vetor de preocupação é a demanda. A queda no consumo adiciona incerteza ao setor e levou a Girolando a priorizar iniciativas de estímulo ao mercado.

Entre elas está a Megaleite, feira programada para junho, com expectativa de receber mais de 100 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 400 milhões em negócios. O evento pretende aproximar o público urbano da cadeia produtiva e ampliar a percepção sobre a presença do leite em itens cotidianos, de alimentos industrializados a suplementos e medicamentos.

A estratégia inclui ainda incentivar a produção de derivados, como o queijo artesanal. Na avaliação de Lacerda, ampliar o processamento ajuda pequenos produtores ao reduzir o impacto da alta perecibilidade do leite e expandir alternativas de comercialização.

No campo regulatório, o presidente da Girolando classifica a concorrência externa como desigual. Ele observa que o leite brasileiro atende a exigências sanitárias que não seriam aplicadas de forma equivalente a alguns países exportadores. Como exemplo, cita o uso de farinha de osso em rações no exterior, prática proibida no Brasil por causa da vaca louca.

Apesar do cenário adverso, a entidade registrou em 2025 o maior número de registros genealógicos de sua história, com 113.690 anotações, alta de 5% ante 2024. O resultado reforça a aposta em genética, seleção genômica, transferência de tecnologia e capacitação para elevar produtividade, especialmente entre pequenos produtores. A demanda internacional pela raça também cresce, com destaque para as Filipinas, que produzem apenas 1% do leite que consomem.

Gestão eficiente e interlocução com o poder público seguem como prioridades para 2026, em um contexto que também direciona atenção às eleições de outubro. Para Lacerda, o agronegócio permanece como motor econômico e precisa de condições para agregar valor. Sem apoio e incentivos consistentes, conclui, a continuidade do crescimento fica em risco.

Escrito para o eDairyNews, com informações de Canal Rural

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