A produção de leite no Rio Grande do Norte alcançou 1 milhão de litros por dia em 2025, estabelecendo um novo patamar para a cadeia láctea estadual.
O volume consolida uma década de ajustes produtivos e reposiciona o estado em escala regional.
O avanço está associado a dois vetores principais. De um lado, a indústria ampliou capacidade e padrão operacional. O estado soma 43 indústrias de laticínios inspecionadas, distribuídas em todas as regiões, responsáveis por quase 800 empregos diretos, segundo o Atlas da Indústria Potiguar do Observatório da Indústria Mais RN, vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte.
De outro, houve transformação técnica nas propriedades rurais. A adoção de ordenha mecânica, tanques de resfriamento, automação, balanceamento nutricional, melhoramento genético e reforço sanitário elevou produtividade e padrão de qualidade. Sistemas de compost barn já operam no Seridó e estão em implantação no Agreste, modelo que busca maior conforto animal e ganhos de eficiência, com potencial geração adicional de adubo, biofertilizante e energia.
A mudança também se expressa no mix industrial. Há maior presença de produtos potiguares nas gôndolas, lançamento de novas linhas e modernização de embalagens. A produção de muçarela, inexistente há dez anos, hoje conta com oito marcas no estado. Além disso, há processamento de leite e derivados de búfala com produtos diferenciados, segmento ainda pouco difundido em outras unidades da federação.
O impacto econômico é visível. De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o valor da produção saltou de R$ 538 milhões em 2020 para R$ 981 milhões em 2024. O crescimento sinaliza maior densidade econômica da atividade e reforça seu peso na renda rural.
Apesar do novo recorde, a estrutura permanece sensível a variáveis externas. Custos de energia elétrica, escassez de biomassa de qualidade e falta de mão de obra especializada limitam margens. A política de importação no âmbito do Mercosul também pressiona a competitividade, com entrada de lácteos a preços inferiores ao custo local.
Outro ponto crítico é a recorrência de estiagens. A avaliação setorial é que a cadeia precisa de políticas estruturantes para mitigar impactos antes da redução da oferta. Quando o produtor diminui volume, perde receita. A indústria reduz escala e abre espaço para concorrência externa. A estabilidade depende de planejamento prévio.
Para o consumidor, a modernização tende a ampliar acesso e manter padrões de inocuidade. Para a economia estadual, o novo nível de produção representa mais empregos e renda no campo. Para tomadores de decisão, o dado central é claro: a escala mudou. O desafio agora é sustentar competitividade em ambiente de custos elevados e maior exposição comercial.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de O POTI






