A cadeia produtiva do leite no Maranhão passa a operar com um novo patamar de infraestrutura após a entrega de 80 tanques de resfriamento a produtores de assentamentos estaduais.
O investimento de R$ 1,8 milhão mira um gargalo estrutural que impactava qualidade, perdas e regularidade de fornecimento.
Os equipamentos, com capacidade de 2.000 litros, estrutura em aço inox, compressor, agitador, timer digital e isolamento em poliuretano, foram destinados a associações rurais das regiões Tocantina, Sertão e Médio Mearim. A distribuição seguiu critérios técnicos como volume produzido, organização coletiva, infraestrutura mínima de instalação e inserção formal na cadeia com entrega a laticínios sob inspeção sanitária.
O ponto crítico era o intervalo entre ordenha e coleta industrial. Sem resfriamento adequado, parte da produção se deteriorava antes de chegar ao laticínio. Com os tanques, o leite pode ser armazenado de forma segura até a coleta, ampliando a estabilidade da oferta e reduzindo perdas físicas e econômicas.
A medida incide diretamente sobre um segmento que responde por cerca de 70% da produção estadual, formado majoritariamente por pequenos produtores. Em Presidente Dutra, por exemplo, 22 famílias passam a compartilhar um tanque coletivo. Cada uma produz em média 1,5 litro por dia e projeta dobrar o volume com a possibilidade de armazenagem adequada.
O impacto se estende à indústria. A maior previsibilidade de coleta reduz interrupções logísticas e amplia a disponibilidade de matéria-prima. Em municípios como Senador La Rocque, a expectativa é de maior regularidade no fornecimento às empresas compradoras.
Os tanques integram um conjunto mais amplo de ações estaduais, incluindo ICMS zerado para leite e derivados, crédito com juros subsidiados via parceria com o Banco do Nordeste e garantia de compra por meio do PAA Leite para abastecimento de escolas e hospitais. A formalização das entregas ocorreu por meio de termos de doação às associações selecionadas.
Do ponto de vista estrutural, o Maranhão combina grande base pecuária com necessidade de intensificação leiteira. O estado possui cerca de 10 milhões de cabeças bovinas, a segunda maior população do Nordeste. Em 2025, a produção leiteira cresceu 7,3% frente ao ano anterior, atingindo 520 milhões de litros anuais, segundo o Imesc. Atualmente, responde por 20% da produção nacional.
O avanço é mais concentrado nas regiões Sul, Central e Tocantina. Imperatriz e Açailândia consolidaram-se como polos de derivados artesanais, enquanto a produtividade média na Região Tocantina atinge 5,21 quilos de leite por vaca por dia, acima da média nacional de 5 quilos.
Ao enfrentar o elo mais frágil da cadeia, o resfriamento, o estado busca transformar crescimento estatístico em estabilidade operacional. Infraestrutura básica, quando bem alocada, altera escala, qualidade e renda simultaneamente.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário Sul Maranhense






