ESPMEXENGBRAIND
30 nov 2025
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🧀 Cultura, história e ciência se misturam para revelar a verdade por trás do mito dos ratos e do queijo.
🧀 A imagem do ratinho correndo para o queijo é irresistível, mas não combina com o que estudos mostram sobre as preferências desses animais.
🧀 A imagem do ratinho correndo para o queijo é irresistível, mas não combina com o que estudos mostram sobre as preferências desses animais.

Queijo e ratos formam uma das duplas mais famosas da cultura pop, mas a ciência garante que essa relação é bem menos romântica do que os desenhos animados fizeram parecer.

A clássica cena do ratinho faminto correndo em direção a um pedaço de queijo amarelo com furinhos está gravada no imaginário coletivo há séculos — só que, na prática, quase nada disso se sustenta quando olhamos para o comportamento real desses animais.

O que se sabe hoje, a partir de estudos e da própria história alimentar humana, é que os ratos nunca tiveram uma preferência genuína por queijo. Eles comem o que estiver disponível, como bons oportunistas, e muitas vezes acabam sendo associados ao queijo porque esse alimento era simplesmente mais acessível para eles em certos períodos da história. A partir daí, o mito cresceu, ganhou força na arte, na literatura e, claro, em gerações de desenhos animados.

Uma associação que nasceu da conveniência histórica

Durante a Idade Média, quando métodos modernos de conservação ainda eram inexistentes, alimentos secos como grãos, farinhas e sementes ficavam protegidos em potes, caixas ou recipientes selados. Já os queijos, especialmente os grandes blocos maturados, eram armazenados em prateleiras, adegas ou despensas com circulação de ar. Isso os deixava completamente expostos. Assim, quando um rato precisava se alimentar rapidamente, o queijo se transformava em uma opção simples e acessível — não porque fosse o mais saboroso, mas porque estava ali, dando sopa.

Documentos e ilustrações medievais mostram cenas pitorescas de ratos beliscando queijos deixados à vista. Não demorou para essa imagem ser fixada como símbolo universal do “petisco preferido” dos roedores. A cultura visual fez o resto: o formato triangular, as cavidades e a cor viva do queijo ajudaram a transformar o alimento em um ícone fácil de reconhecer e reproduzir, especialmente em livros e animações para crianças.

Com o tempo, a imagem do ratinho e seu queijo se tornou tão forte que sobreviveu mesmo quando a ciência começou a questionar essa ideia.

O que os estudos realmente mostram

Pesquisas citadas por divulgadores científicos e portais de conhecimento apontam uma conclusão clara: ratos não demonstram preferência especial por queijo. Em testes de escolha alimentar, eles gravitam muito mais para opções doces ou com alto teor energético, como manteiga de amendoim, cereais, frutas e alimentos ricos em carboidratos.

Outro dado científico costuma surpreender: ratos adultos tendem a apresentar baixa atividade da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose. Estudos publicados no British Journal of Nutrition indicam queda expressiva da produção dessa enzima depois do desmame. Ou seja, muitos ratos adultos são considerados “lactase-deficientes”, o que pode dificultar a digestão de leite e seus derivados, especialmente queijos frescos ou pouco maturados.

Isso não significa que o queijo faça mal automaticamente, já que queijos maturados têm pouca lactose. Mas deixa evidente que, do ponto de vista fisiológico, esse alimento definitivamente não entra na lista de favoritos dos ratos.

A força de um mito irresistível

Se cientificamente o caso parece encerrado, por que o mito persiste com tanta força? A resposta está na estética e no storytelling. A figura do ratinho simpático segurando um queijo perfeitamente desenhado é visualmente poderosa, funciona bem para narrativas e se tornou parte do repertório de gerações.

Animações famosas — como a produção da Pixar em que o protagonista é literalmente um rato apaixonado por comida — fortaleceram ainda mais essa imagem. A repetição ao longo de séculos fez o resto.

Então… ratos gostam ou não gostam de queijo?

A resposta mais honesta e divertida é: eles podem comer queijo, mas não amam queijo. Diante de uma dispensa cheia, o queijo provavelmente ficaria no fim da fila. Ratos são práticos: escolhem o que fornece mais energia, mais rápido, com mais segurança e menos esforço.

A ligação com o queijo é muito mais uma herança cultural do que um fato biológico. E, apesar disso, é provável que o ratinho e seu queijo permaneçam unidos por muitos anos — afinal, poucos mitos são tão saborosos quanto esse.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Olhar Digital

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