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11 jan 2026
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Um novo plástico biodegradável feito de proteínas do leite pode reduzir o impacto ambiental das embalagens ♻️
Leite deixa de ser só alimento e passa a ser base para plástico biodegradável sustentável 🌍
Leite deixa de ser só alimento e passa a ser base para plástico biodegradável sustentável 🌍

Plástico biodegradável feito a partir do leite deixou de ser apenas uma ideia curiosa de laboratório e passou a integrar, com base científica sólida, o debate global sobre embalagens sustentáveis.

Pesquisadores conseguiram desenvolver um material plástico a partir de proteínas lácteas capaz de se degradar completamente no solo em cerca de 13 semanas, abrindo caminho para novas alternativas aos plásticos convencionais de uso único.

O avanço foi documentado em um estudo publicado na revista científica Polymers e integra uma linha de pesquisa liderada pela Universidade Flinders, no sul da Austrália, em cooperação com cientistas da Colômbia. A proposta é clara: usar matérias-primas abundantes, de baixo custo e renováveis para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do século XXI.

Segundo os pesquisadores, o material foi obtido a partir da combinação de caseinato de cálcio — derivado da caseína, a principal proteína do leite — com amido modificado e nanoargila de bentonita. A essa base foram incorporados glicerol e álcool polivinílico, componentes que ajudaram a melhorar a resistência mecânica e a flexibilidade do material final. O resultado foi uma película fina, estável e com potencial para aplicações industriais, especialmente no setor de embalagens.

Os testes de biodegradabilidade mostraram uma decomposição progressiva, constante e previsível. Em condições normais de solo, o plástico se desintegrou totalmente em aproximadamente 13 semanas, um desempenho considerado altamente eficiente quando comparado a plásticos convencionais, que podem levar décadas — ou séculos — para se decompor.

Além disso, os ensaios microbiológicos indicaram baixa toxicidade ambiental. As colônias bacterianas presentes no solo se mantiveram dentro de parâmetros aceitáveis, um critério essencial para materiais destinados ao contato indireto com alimentos e ao descarte ambiental controlado.

De acordo com o professor Youhong Tang, do Instituto Flinders de Ciência e Tecnologia em Nanoescala, esse tipo de desenvolvimento ganha importância em um cenário de crescimento acelerado da poluição plástica. O pesquisador lembra que, segundo projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se nenhuma medida global for adotada, a produção mundial de plásticos pode crescer cerca de 70% entre 2020 e 2040, ultrapassando 700 milhões de toneladas anuais.

Nesse contexto, soluções baseadas em bioplásticos deixam de ser nicho acadêmico e passam a ocupar espaço estratégico para a indústria. “O desafio não é apenas substituir o plástico tradicional, mas oferecer materiais que tenham desempenho técnico adequado, custo competitivo e impacto ambiental reduzido”, destacam os pesquisadores envolvidos no estudo.

A participação colombiana foi conduzida por cientistas como Nikolay Estiven Gómez Mesa e a professora Alis Yovana Pataquiva-Mateus, da Universidade de Bogotá Jorge Tadeo Lozano. A partir do Grupo de Pesquisa em Nanobioengenharia, a equipe trabalhou na otimização das propriedades mecânicas e de barreira do material, explorando polímeros naturais amplamente disponíveis na região.

Segundo os pesquisadores, o objetivo foi desenvolver uma fórmula viável para uso em embalagens de alimentos, capaz de substituir plásticos derivados do petróleo sem comprometer a segurança, a funcionalidade ou a durabilidade durante o uso.

Os números globais ajudam a dimensionar a relevância do avanço. Estimativas apontam que cerca de 60% dos plásticos produzidos no mundo são destinados a usos únicos, enquanto apenas 10% efetivamente passam por processos de reciclagem. O restante acaba em aterros, rios, oceanos ou fragmentado em microplásticos que já foram detectados em alimentos, água e até no organismo humano.

Nesse cenário, o plástico biodegradável à base de leite surge como uma peça importante dentro de modelos de economia circular, nos quais resíduos deixam de ser um problema e passam a ser parte da solução. Para a cadeia láctea, o desenvolvimento também abre novas possibilidades de valorização industrial, ampliando o uso de derivados proteicos para além da alimentação.

Ainda que o produto não esteja pronto para produção em larga escala, os pesquisadores avaliam que os resultados são promissores e indicam um caminho concreto para reduzir a dependência global de plásticos convencionais. Para o consumidor final, a ideia de uma embalagem que literalmente “volta à terra” em poucas semanas pode deixar de ser exceção e se tornar parte do cotidiano.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de EDairyNews Español

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