Corantes naturais estão no centro da discussão sobre a viabilidade do branco como tendência do ano em alimentos e bebidas, após a Pantone eleger o tom Cloud Dancer (PANTONE 11-4201 TCX) como a Cor de 2026.
O tom, descrito como um branco neutro e suave, simboliza a busca por calma e serenidade em um contexto de consumo marcado por intensidade e fragmentação de escolhas.
Essa leitura estética encontra respaldo no comportamento do consumidor. Segundo a pesquisa Outside Voice 2021, conduzida pela ADM, quase 50% dos entrevistados afirmaram associar o branco a atributos positivos em alimentos e bebidas. A percepção, no entanto, contrasta com os desafios técnicos de formular produtos naturalmente brancos, especialmente em um cenário de crescente restrição a aditivos sintéticos e maior exigência por rótulos limpos.
Historicamente, alcançar e manter o branco foi uma das tarefas mais complexas da indústria de ingredientes. Durante décadas, o dióxido de titânio (TiO₂) foi utilizado para conferir brilho e opacidade a uma ampla gama de produtos. Desde 2022, porém, a substância está proibida na União Europeia, após avaliações que levantaram preocupações sobre possíveis riscos à saúde, incluindo associações com alterações no DNA. A decisão regulatória acelerou revisões em outros mercados e pressionou fornecedores e fabricantes a buscar alternativas viáveis.
Nesse contexto, a transição para corantes naturais deixou de ser apenas uma opção estratégica e passou a ser uma necessidade operacional. De acordo com a ADM, o movimento global de substituição de aditivos sintéticos tem impulsionado investimentos em pesquisa, extração e tecnologias de estabilização, especialmente para cores tradicionalmente problemáticas, como o branco.
A empresa afirma ter desenvolvido um portfólio capaz de oferecer as doze cores do arco-íris a partir de fontes naturais. No caso específico do branco, a multinacional apresentou a linha PearlEdge™, formulada com elementos de origem natural e projetada para entregar tonalidades brancas estáveis e uniformes em diferentes aplicações. Segundo a companhia, a solução busca responder a um dos principais gargalos do setor: a perda de brilho, a instabilidade visual e os impactos indesejados na textura.
“Temos uma compreensão profunda do papel que a cor desempenha nas escolhas alimentares”, afirma Tiago Coroa, gerente de Desenvolvimento de Produtos e Criação da ADM na América Latina. Segundo ele, a escolha da cor de 2026 reflete um desejo coletivo por simplicidade e bem-estar. O executivo explica que, por meio de métodos inovadores de extração, pesquisa contínua e tecnologias patenteadas, a empresa conseguiu viabilizar alternativas naturais capazes de substituir corantes sintéticos em diversas formulações.
Do ponto de vista técnico, o branco apresenta desafios específicos. Substitutos ao dióxido de titânio frequentemente geram texturas irregulares, aumento indesejado de viscosidade, dificuldades de emulsificação e problemas de estabilidade em bebidas. Em aplicações líquidas, pequenas variações de pH, luz, temperatura ou processamento podem comprometer o resultado final.
A proposta da linha PearlEdge™, segundo a ADM, é atuar justamente nesses pontos críticos. Derivada de ingredientes naturais, incluindo amido de milho, a solução foi desenvolvida para manter o equilíbrio das formulações e permitir ajustes conforme aplicação, mercado, certificações e exigências regulatórias. A empresa destaca que não se trata de uma abordagem única, mas de um conjunto de soluções adaptáveis.
“Existe uma lacuna no mercado quando falamos de corantes naturais brancos”, explica Coroa. “É possível criar desde tons suaves, como o Cloud Dancer da Pantone, até brancos mais intensos, a partir de soluções específicas para cada necessidade, e não de um modelo padronizado”, acrescenta.
As aplicações citadas incluem confeitaria, misturas em pó para bebidas, coberturas, recheios de panificação, sopas, molhos, temperos, laticínios e análogos de carne. Além de conferir o branco, os corantes podem atuar como base para realçar outras cores, tornando-as mais vivas e brilhantes quando aplicadas sobre superfícies claras.
No segmento de bebidas, a ADM destaca o uso de tecnologias de emulsão que permitem alcançar efeito de branqueamento e opacidade compatíveis com outros ingredientes da formulação, minimizando impactos sensoriais e visuais.
Segundo a empresa, fatores como pH, exposição à luz, tipo de embalagem, temperatura, condições de processamento e interações químicas seguem sendo determinantes para o sucesso das formulações. Ainda assim, o avanço do conhecimento técnico e das tecnologias patenteadas tem permitido superar barreiras antes consideradas inviáveis, incluindo estabilidade de cor, padronização e custos.
Para a indústria, o branco deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a refletir uma convergência entre comportamento do consumidor, ciência de ingredientes e pressão regulatória. Nesse cenário, os corantes naturais se consolidam como peça central na adaptação das formulações ao novo contexto global.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal A|I






