ESPMEXENGBRAIND
15 jan 2026
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Ferramenta de baixo custo aponta leite A2 em minutos e mira mercados globais 🚜
Tecnologia patenteada detecta leite A2 sem laboratório e avança para a Nova Zelândia 🌏
Tecnologia patenteada detecta leite A2 sem laboratório e avança para a Nova Zelândia 🌏

Leite A2 passou a ser identificado diretamente na fazenda por meio de um teste rápido desenvolvido e patenteado pela startup brasileira Scienco Biotech, que permite reconhecer, logo após a ordenha, se o leite produzido é livre da proteína associada à má digestão.

A tecnologia funciona de forma semelhante a um teste de gravidez e foi concebida para uso imediato pelo próprio pecuarista.

Segundo a veterinária Maria de Lourdes Magalhães, criadora do teste e CEO da Scienco Biotech, o procedimento exige apenas uma gota da amostra de leite, com leitura instantânea do resultado. A executiva observa que, no modelo convencional, a identificação do tipo de leite depende da análise de DNA dos animais, realizada em laboratório, o que torna o processo mais caro e demorado.

A distinção está relacionada às proteínas A1 e A2. Vacas podem produzir leite contendo a proteína A1, associada a desconfortos digestivos, ou a proteína A2, que não está vinculada a esse problema e é a mesma encontrada no leite materno. O leite A2 é proveniente de animais com o gene A2A2 e não promove a formação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), um peptídeo associado a possíveis dificuldades de digestão presentes no leite A1.

Diana Jank, diretora de marketing da Letti, explica que a ausência da formação da BCM-7 é o principal diferencial do leite A2. A Letti integra o grupo Agrindus, um dos maiores produtores de leite do Brasil, e fabrica produtos lácteos exclusivamente com proteína A2. Para isso, utiliza outra tecnologia de identificação, baseada em procedimentos distintos dos testes rápidos desenvolvidos pela Scienco.

Na avaliação de Gustavo Silva, diretor de inovação da Scienco Biotech, os testes rápidos têm potencial para transformar a cadeia leiteira ao reduzir custos e acelerar decisões no campo. Segundo ele, a simplicidade operacional permite que o produtor identifique rapidamente o leite A2 e organize sua produção sem depender de análises externas.

Atualmente, cerca de 1.900 fazendas no Brasil, na Colômbia e na Coreia do Sul já utilizam o teste desenvolvido pela startup. Em 2026, a empresa iniciou a comercialização da tecnologia na Nova Zelândia, país onde o leite A2 foi identificado pela primeira vez, na década de 1990, e onde começou a ser comercializado em escala a partir de 2003.

De acordo com Maria de Lourdes Magalhães, a entrada no mercado neozelandês representa um marco estratégico. Além do pioneirismo no desenvolvimento do leite A2, a Nova Zelândia é um grande exportador para a China, mercado que apresenta elevada demanda por esse tipo de leite, especialmente para uso na produção de fórmulas infantis.

No Brasil, a identificação do tipo de leite ainda não é uma prática difundida. A maior parte dos pecuaristas não separa a produção por perfil proteico e comercializa todo o volume como leite A1. Com isso, segundo a CEO da Scienco, perde-se a possibilidade de diferenciação e de agregação de valor. “Com a identificação, o produtor pode separar o leite das vacas A2 e vendê-lo de forma diferenciada”, afirma.

Os produtores que já realizam a segregação normalmente recorrem a testes laboratoriais. No início de 2025, a Scienco Biotech recebeu um investimento de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver uma segunda tecnologia, voltada à identificação de leites com maior rendimento para a produção de queijos. A ferramenta já está em operação em cerca de 20 fazendas, segundo a empresa.

Esse segundo teste identifica, de forma instantânea, vacas que produzem um leite com melhor capacidade de coagulação, característica que pode resultar em rendimento até 30% maior na fabricação de queijos, com redução de perdas e maior padronização do produto final, explica Magalhães.

Para 2026, a Scienco planeja lançar uma terceira tecnologia, focada na detecção de resíduos de antibióticos no leite. Com a consolidação das três soluções, a expectativa da startup é alcançar um faturamento próximo de R$ 2 milhões, ampliando sua presença no Brasil e em mercados internacionais.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural

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