O leite integral voltou ao centro do debate nutricional, frequentemente associado ao seu teor de gordura.
No entanto, especialistas e entidades de referência em nutrição convergem em um ponto: trata-se de um alimento de alto valor nutricional, cujo papel na saúde vai muito além da discussão sobre lipídios.
Do ponto de vista histórico, o consumo de leite acompanha a humanidade desde o período Neolítico, quando surgiram as primeiras práticas de ordenha. Ao longo dos séculos, o alimento manteve sua presença nas dietas humanas e, longe de perder relevância, segue ocupando espaço central nas discussões atuais sobre alimentação equilibrada e qualidade nutricional.
Um dos principais atributos do leite integral é seu conteúdo de cálcio, mineral essencial para a formação e manutenção de ossos e dentes. De acordo com a Fundação Espanhola de Nutrição, a ingestão adequada desse nutriente durante a infância e a adolescência contribui para a construção de um pico ótimo de massa óssea — fator determinante para reduzir o risco de osteoporose na vida adulta.
Esse aporte torna-se ainda mais relevante em fases específicas da vida, como gravidez, lactação e menopausa, períodos em que as necessidades de cálcio aumentam de forma significativa. Nessas etapas, o leite integral aparece como uma fonte acessível e biologicamente eficiente do mineral.
Além do cálcio, o leite integral fornece proteínas de alto valor biológico, contendo todos os aminoácidos essenciais necessários ao organismo. Essas proteínas desempenham papel central no desenvolvimento e na manutenção da massa muscular, na reparação de tecidos e em diversas funções metabólicas. Uma porção habitual de leite contribui de maneira relevante para a ingestão diária recomendada, tanto em crianças quanto em adultos.
Outro diferencial do leite integral está em seu teor de vitaminas lipossolúveis, especialmente as vitaminas A e D, naturalmente associadas à fração gordurosa. A vitamina A participa da saúde visual e do funcionamento do sistema imunológico, enquanto a vitamina D é fundamental para a absorção do cálcio e a manutenção da saúde óssea. Por essa razão, o consumo de leite integral costuma ser recomendado em idades precoces, quando o crescimento e a formação óssea estão em pleno desenvolvimento.
Sob o ponto de vista digestivo, a gordura do leite integral apresenta uma característica particular: ela se encontra na forma de pequenos glóbulos revestidos por uma membrana natural. Essa estrutura facilita a digestão em indivíduos saudáveis e contribui para uma maior sensação de saciedade, aspecto relevante no controle do apetite e na organização das refeições ao longo do dia.
O perfil nutricional do leite integral se completa com a presença de outros minerais essenciais, como fósforo, potássio, magnésio, iodo e zinco, além de vitaminas do complexo B, entre elas a vitamina B12 e a riboflavina. Esses micronutrientes são fundamentais para o metabolismo energético, o funcionamento do sistema nervoso e diversos processos celulares. Seu elevado teor de água também contribui para a hidratação cotidiana.
Apesar de seus benefícios, especialistas ressaltam que o consumo de leite integral deve ser individualizado. Pessoas com sobrepeso, obesidade ou alterações nos níveis de lipídios sanguíneos podem se beneficiar de versões semidesnatadas ou desnatadas, sem prejuízo significativo do aporte proteico e mineral.
Há ainda situações em que o consumo de leite é contraindicado, como nos casos de intolerância à lactose, galactosemia ou alergia às proteínas do leite. Nessas condições, alternativas nutricionais devem ser avaliadas com acompanhamento profissional.
Em um momento em que as guias alimentares são revisitadas e as mensagens nutricionais passam por reavaliação, o leite integral volta a ser analisado com mais nuance. Longe de simplificações, o alimento se reafirma como uma opção completa e densa em nutrientes, com papel relevante na saúde óssea e no equilíbrio nutricional, desde que inserido em um consumo consciente e informado.
*Escrito para o eDairyNews Br, com informações de EDairyNews Español






