O preço do leite em Mato Grosso inicia 2026 em patamar mais baixo após o Conseleite/MT divulgar os valores de referência válidos para janeiro, referentes ao leite entregue em dezembro de 2025.
A atualização trouxe uma redução de 8,3% em relação ao mês anterior, sinalizando um começo de ano mais apertado para os produtores do estado.
Segundo o conselho, os números divulgados funcionam como balizadores das negociações entre produtores e indústrias. Embora não representem preços mínimos ou máximos obrigatórios, exercem influência direta sobre os contratos firmados no mercado. Quando essa referência recua, a pressão sobre a rentabilidade do produtor tende a aumentar.
Para quem vive da atividade leiteira, a queda não se resume a um ajuste estatístico. Ela se traduz em menos recursos disponíveis para cobrir despesas recorrentes, como alimentação do rebanho, energia elétrica, manutenção de equipamentos e mão de obra. Em propriedades familiares, onde o fluxo de caixa costuma ser mais sensível, qualquer variação negativa exige resposta rápida.
A redução anunciada pelo Conseleite/MT afeta a receita mensal em um momento em que muitos custos permanecem elevados. A alimentação animal é um exemplo clássico. Mesmo com oscilações no preço do leite, a vaca precisa ser alimentada diariamente, e os insumos nem sempre acompanham a mesma trajetória de queda.
Outro fator crítico é o planejamento financeiro. Muitos produtores utilizam o pagamento do leite como principal fonte para fechar as contas do mês. Uma retração superior a 8% obriga a renegociar prazos, reorganizar compromissos e, em alguns casos, adiar investimentos previstos para o início do ano.
O Conseleite/MT é um conselho paritário formado por representantes dos produtores e da indústria. Seu papel é construir referências de valor a partir de dados de mercado, custos de produção e desempenho da cadeia leiteira. A metodologia busca oferecer previsibilidade e transparência, mesmo em cenários de volatilidade.
No caso de Mato Grosso, a divulgação mensal é acompanhada de perto por todos os elos da cadeia. Os números funcionam como um termômetro do mercado lácteo estadual, orientando decisões tanto dentro quanto fora da porteira.
Os valores aprovados pelo conselho consideram o chamado leite base e também faixas de referência. Essas faixas variam conforme o volume médio mensal entregue e os parâmetros de qualidade do leite. Produtores com maior escala e melhor desempenho em qualidade tendem a acessar referências superiores, enquanto aqueles com menor volume ou problemas recorrentes ficam nas faixas inferiores.
Um ponto relevante destacado pelo Conseleite/MT é que os valores divulgados se referem ao leite entregue na propriedade, sem desconto de frete. Além disso, já incluem o recolhimento do Funrural, na alíquota de 1,5%, o que permite ao produtor ter uma visão mais clara do valor líquido recebido.
A queda no preço do leite não ocorre de forma isolada. Ela reflete um conjunto de fatores do mercado lácteo, como a relação entre oferta e demanda, o consumo de derivados, o comportamento da indústria e condições econômicas mais amplas. Quando a oferta cresce mais rapidamente que a demanda, a pressão sobre os preços tende a se intensificar.
Nesse contexto, a indústria enfrenta dificuldade para repassar custos ao consumidor final, e parte desse ajuste retorna ao produtor na forma de preços menores. Para analistas do setor, o movimento observado em janeiro acende um sinal de alerta e reforça a necessidade de acompanhamento constante dos indicadores.
Diante desse cenário, o produtor é levado a revisar estratégias. Conhecer detalhadamente o custo de produção por litro de leite passa a ser fundamental para decidir onde é possível ajustar sem comprometer o desempenho do rebanho. Medidas como revisão do manejo alimentar, redução de desperdícios, melhoria dos índices zootécnicos e atenção à qualidade ajudam a proteger a margem.
O diálogo com cooperativas e laticínios também ganha importância. Entender como a indústria está avaliando o mercado e quais critérios pesam mais na formação do preço pode melhorar o posicionamento do produtor nas negociações.
O início de 2026 exige cautela. O preço do leite segue sujeito a oscilações, e a capacidade de atravessar períodos de baixa com organização financeira e eficiência operacional continua sendo um diferencial decisivo dentro da cadeia.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agronews






